José Paulo Fafe

Xô!

CONFESSO QUE pensei que a criatura já tivesse ido desta para melhor. Mas não, pelos vistos ainda mexe e ao que parece… fala! Refiro-me aquela grotesca personagem que dá pelo nome de António Sousa Lara, conde, visconde ou barão sei lá de quê, maçon (julga-se ele ilustre…) e, segundo um currículo que mais parece um sketch dos “Gatos Fedorentos”, professor universitário, embaixador da Ordem de Malta em Cabo Verde e cônsul do Lesotho em Lisboa! Pois é, como eu ia dizendo, este verdadeiro espantalho que decorou durante um curto espaço de tempo a nossa pobre cena política (sim, porque o homem foi deputado e chegou subsecretário de Estado, imaginem lá!) resolveu, por detrás de aquelas barbas de eremita que, julgará ele, lhe conferem um ar de sábio, conceder uma entrevista a um site – “Oeiras Digital” de seu nome. E entre as naturais baboseiras que balbuciou da boca para fora e que merecerão quando muito um sorriso condescendente (daqueles que nós esboçamos quando deparamos com um patetinha), a criatura teve o desplante de afirmar alto e bom som a propósito da recusa do Tribunal em aceitar o pedido de Isaltino de Morais em cumprir a pena que lhe resta em prisão domiciliar: “Alguns gostariam que Isaltino morresse de um ataque cardíaco, assim ficava resolvido o problema“. Independentemente do mau-gosto que caracteriza uma afirmação deste teor, não pude deixar de recordar o que se passou há uns anos quando este vice-reitor da Universidade Moderna foi incapaz de, contrariamente ao que faz agora em relação ao antigo autarca de Oeiras, ter uma palavra pública ou privada de solidariedade para alguns que, sendo seus colegas na cooperativa que era proprietária daquela instituição, penaram alguns anos atrás das grades. Não, nessa altura, não fosse o diabo tecê-las, o homem enjeitou responsabilidades, sacudiu água do capote, enfiou-se em casa, desfez-se dos Porsches da vida e assobiou para o lado, apesar de tremer que nem varas verdes cada vez que tinha de ir bater com os costados à sala do Tribunal de Monsanto. Agora, uns anitos depois, cá está ele a sair da toca… Xô!

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