José Paulo Fafe

A versão lusa e pobretanas das “Puertas del Sol”…

QUE ME desculpem alguns amigos e conhecidos que depositavam grande esperança no “gigantesco movimento de massas” que iria confluir ao Rossio pedindo o fim deste estado de coisas e reclamando pela destituição da classe política, mas hoje resolvi tirar a tarde e rumar até ao centro da nossa capital. E o que me foi dado ver foi confrangedor… Não sei se era do sol (que estava a pique), mas depois de uma aturada e minuciosa contagem cheguei a uma soma que ultrapassava os dedos de uma mão e que, mesmo com uma grande boa-vontade, não alcançava os dedos das duas – nada mais, nada menos que 7, repito, 7 criaturas. E meia, é verdade… já me ia esquecendo do famélico “canito” que um dos habituées do Largo Camões, agora de casa e pucarinho no Rossio, arrastava (ou seria o contrário?) praça fora sabe-se lá à procura de quê. E acreditem que não estou a exagerar quando classifico o espectáculo de confrangedor: pelos alegados “manifestantes”, pelo aspecto dos ditos cujos, pelo ridículo da situação e pelo perfeito “marimbar” de quem por ali passava, completamente alheio à versão lusitana do protesto das “Puertas del Sol”. Acredito que à noite, aquilo chegue às três ou quatro dezenas de participantes. Depende da cerveja e dos “charritos”, é claro…

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