José Paulo Fafe

“Veneza pode esperar”? A leitura não!


O PRIMEIRO livro que li de Rita Ferro foi, salvo erro, o “Vestido de Lantejoulas“. Confesso que um bocadinho por acaso, mas li. E gostei – já devem ter passado uns vinte anos, talvez mais… A partir daí, deixei de ler a Rita Ferro “por acaso” e passei-a a ler “intencionalmente”. Lembro-me bem do “Por Instinto“, do “Uma Mulher não Chora“, do “A Menina Dança” e sei que me falta, entre outros, o “Os Filhos da Mãe” que,  apesar da autora me ter prometido (risos), tentei sem êxito encontrar nas livrarias. Há uns dois ou três anos li com gosto, vontade e entusiasmo  o “A menina é filha de quem?“, obra sobre a qual aqui escrevi e onde percebi (se dúvidas restassem…) que a Rita é indiscutivelmente uma das nossas melhores escritoras. Ontem acabei de ler o primeiro (espero…) volume do seu diário – “Veneza pode esperar“. Só quem nunca escreveu é que desconhecerá o tão difícil que é “dar-nos” através de um “diário”, à mercê de quem  “invade” o nosso quotidiano, muitas vezes arriscando-nos uma exposição que pode até ser mal interpretada. Mas a Rita Ferro fá-lo de forma magistral, disfrutando-se inteligentemente, encantando com uma curiosa e “acompanhada” solidão de um mundo que ela construiu e nitidamente preserva com o saber da escolha e oferecendo-nos – aos seus leitores – uma visão muito própria do muito que está à nossa volta. 
Ao fim das 236 páginas queremos mais, sabe-nos a pouco – passe a expressão! Vale-nos a promessa, entre parêntesis: “continua“. Mas despache-se, ’tá bem Rita?!

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