José Paulo Fafe

Vai mais um copo?

HÁ MOMENTOS, quando leio certas croniquetas de determinadas figurinhas que por aí se arrastam já penosamente e quase sempre com os habituais vapores etílicos a tolher-lhes o raciocínio, em que sou “assaltado” por recordações com alguns anos… Foi o que me aconteceu hoje, ao ler um montão de dislastes (certamente escritos com o precioso dicionário de sinónimos como “muleta”) e em que um conhecido idiota da nossa praça que já deixou de ser jornalista mas (coitado…) ainda não conseguiu ser escritor resolveu analisar o resultado de Pedro Santana Lopes nas eleições de domingo passado.
E ao ler o chorrilho de flatulências emitidas por esse arauto de um pretenso moralismo que acaba quando lhe cheira a avença, lembrei-me de uma história já com oito anos, mas que define bem o carácter e a idoniedade do escriba em questão. Estávamos em vésperas de um acto eleitoral e, de repente, o idiota em causa resolveu investir, qual quadrúpede encadeado pela violência da iluminação de uma “nocturna”, furiosamente contra um candidato autárquico, com um artigo manhoso, vil e pleno de alusões pessoais. O tom e o modo eram de tal modo desajustados que, segundo corre, alguém amigo do emergúmeno e sabedor das suas fragilidades resolveu adverti-lo: “Ó homem! Olha que isso já é demais… Vê lá, não te esqueças que tens um gabinete e uma avençazinha dadas pelo adversário dele… E a casinha de Benfica? Se alguém resolve investigar como é que a ‘abichaste’ e quanto pagaste por ela? Vai ser uma chatice se este ganhar, n’é?“. Aí ia dando o fanico ao homem! Certamente pensando no gabinetezinho na Rua das Portas de Santo Antão, na avençazinha ao velho estilo SNI que metia mensalmente ao bolso, na sua linda e nova casinha ali para as bandas da Luz, pelo sim e pelo não esta flatulêntica personagem apressou-se a mandar recados e mais recados, em jeito de mão estendida, ao alvo dos seus escarros em forma de letra: “Eu não quis ofender, precipitei-me… se calhar fui mal entendido, não tenho nada contra ele, fui influenciado, digam-lhe que eu páro, nunca mais me meto com ele… e já agora se isto lhe correr bem pode contar comigo para ajudá-lo…“. Desconheço se o recado chegou ao não ao destinatário, embora sabendo que para o caso tanto faria. O que sei é que, a partir daquele momento, o aldrabilhas em questão calou-se e durante meses não escreveu uma única linha menos simpática, só voltando a fazê-lo alguns anos depois, quando aquele a quem ele tanto persegue aparentemente caiu em desgraça e tornou-se no alvo preferido de todos que utilizam a pena de forma manhosa e cobarde.
Mas nos últimos meses, com a “ressureição” à vista do político em causa, com a perspectiva de poder regressar ao lugar que já tinha ocupado, o cobardolas amainou o tom, preferindo mesmo tentar escapulir-se à contenda eleitoral que se avizinhava, entretendo-se em comentar outros assuntos e temas. Até hoje, é claro… Agora que as coisas correram eleitoralmente menos bem a esse mesmo político, a alimária voltou a eructar violentamente através de um texto que certamente lhe servirá para voltar a ter (ou renovar) a avençazinha. Sim porque a casinha, essa ninguém lha tira.
Eu pela minha parte, se o vir por aí e se estiver bem-disposto sou homem para lhe dar.. uma moedinha. É p’ró copo de três! Bem bom, não é?

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