José Paulo Fafe

Uma manchete cínica


PARA QUEM é há muitos anos (com um interregno por motivos que para aqui não são chamados…) leitor constante do “Diário de Notícias”, a manchete da edição de hoje do matutino da Avenida da Liberdade é, no mínimo, lamentável e marca definitivamente a correiadamanhãzição de um jornal que já foi, de facto, uma referência na imprensa portuguesa. Publicar uma manchete a seis colunas sobre um suposto caso de violência doméstica envolvendo alguém que foi em tempos deputado é de um profundo mau-gosto, até porque se pudesse existir algum interesse noticioso (repito: se é que pudesse existir algum interesse noticioso…) esse só poderia radicar no facto do tal antigo parlamentar ser assumidamente gay e ter recentemente contraído casamento com um indivíduo do mesmo sexo. Mas não, isso o responsável por aquela manchete não foi fez, demonstrando um cinismo e uma hipocrisia sem limites! Esse facto – se é que é relevante – foi “chutado” para as páginas 12 e 13, onde, ilustrado com uma foto a 4 colunas do suposto agressor, um verdadeiro texto de autêntico “encher chouriços” tenta justificar uma manchete infeliz e, repito, hipócrita e cínica. Ao menos, quem fez e validou a manchete a toda a largura da primeira página do “DN” que tivesse tido a coragem de, passe a expressão, “chamar os bois pelos nomes”. Querem um exemplo: “Antigo deputado gay acusado de agredir marido“. Mas não – pelos vistos a cobardia imperou lá para as bandas da Avenida da Liberdade…

6 ComentáriosDeixe um comentário

  • Zé Paulo

    Já respondi a um anónimo, que pôs a noticia, num post que o Balbino fez e, que não tem nada a ver com o assunto.
    Perguntei-lhe, se fosse uma mulher do PSD a levar uma carga de pancada do marido, ele também punha!!!

  • Apesar do comentário (se é que lhe podemos chamar assim…) contrariar a ressalva que este blogue impôs relativamente a determinado tipo de comentários, é difícil resistir a guardar só para nós tamanha imbecilidade – tanto no que diz respeito ao teor, como ao pseudónimo que a bestunta e alarve criatura resolveu adoptar, num claro exercício de afirmação que, normalmente, só revela tendências e opções recalcadas e não assumidas. Daí o querer partilhar com os leitores deste blogue um exemplo de um suposto fã da “correiadamanhãzição” do “Diário de Notícias”, outrora respeitado e jornal de referência no panorama da imprensa nacional.

  • Marcelino&Tadeu, Lda…. Mas você estava à espera de quê?! Não me diga que é daqueles que pensa que os tempos em que o DN era dirigido por gente decente, como Mário Mesquita ou Vítor da Cunha Rego, por exemplo. Não! Isto hoje é um jornal mal-amanhado. dirigido por escroques e com a maior parte das chefias ocupadas por oportunistas, carreiristas e que não fazem a mínima ideia do que é fazer jornalismo ou sequer alinhavar duas linhas sem darem sete erros. O Marcelino veio do Correio da Manhã, da pior fase do CM (Otávio Lopes, Casa Pia, etc) e o camarada Tadeu, sempre solícito perante os patrões, arrasou com o 24 Horas. Agora vai ser a vez deste DN a vender pouco mais de 10 mil exemplares/dia… E com um “dono” como o carroceiro do Oliveira. Só dá vontade de chorar!

  • O jornalismo praticado pelo DN é do pior que se faz em Portugal. Essa é que é a verdade. E deixemo-nos de rodeios: a gente que o faz não é muito diferente da dos outros jornais. Há uns anos, nem para “O Crime” serviam. E esse caça-maricas deve ser um deles…

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