José Paulo Fafe

Um osso duro de roer

DEPOIS DE ter visto (e revisto) a prestação televisiva de José Sócrates na sua entrevista à TVI, ninguém me tira da cabeça que Pedro Passos Coelho não vai ter tarefa nada fácil nos debates televisivos em que tiver enfrentar o ainda primeiro-ministro. Porque a verdade é que, goste-se ou não da personagem (e eu não gosto!), Sócrates é notável na forma como “passa” a sua mensagem, tem um dom que não é propriamente comum na forma como consegue, na televisão, desenvencilhar-se dos temas mais incómodos (e não são poucos…) e surgir com uma imagem de político responsável, maduro, altruísta, cioso do interesse nacional. “Aldrabão de feira”, dirão certamente alguns. Não, longe disso – ele possui um poder de comunicação fora de vulgar, utiliza uma linguagem que as pessoas entendem e, mais importante do que tudo, exibe convicção no que quer transmitir. Como é possível, depois destes seis anos, depois de tudo o que se passou, das promessas não cumpridas, das trapalhadas em que esteve envolvido, das mentiras, das responsabilidades que possui no estado a que chegou o País?! Pois é, é o que se chama um verdadeiro “mistério”… No fundo a Sócrates sobra o que (ainda) falta a Passos Coelho: o saber falar com as pessoas. Apenas isso! Mas que pode ser determinante até 5 de Junho. Para mal dos nossos pecados…

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