José Paulo Fafe

Um cúmplice chamado Cavaco Silva…

LEIO QUE uma alta figura da magistratura italiana recém-chegada a Lisboa e ao deparar-se com o ambiente que se vive na sociedade portuguesa, com este regime a definhar e a apodrecer de dia para dia, terá exclamado: “Liguei a televisão e parecia que estava em Itália!”. Nada que nos surprenda, pelo menos a quem siga, nem que seja ao de leve, esta contínua e preocupante degradação das instituições e a descredibilização de grande parte dos protagonistas da nossa cena política, económica e judicial. Isto chegou a um ponto tal que existe um ministro que se permite classificar as escutas (devidamente autorizadas por quem de direito e no âmbito de uma investigação que já levou a que fossem constituídos arguidos) em que o primeiro-ministro foi “apanhado” como um acto de “espionagem política“! E tão ou mais grave que estas – no mínimo – inconcebíveis declarações de VIeira da Silva é o inacreditável e injustificável silêncio de quem, já há muito, tinha a obrigação de intervir explícita e publicamente. Esse alguém chama-se Aníbal Cavaco Silva e arrisca-se a ficar na história objectivamente como “cúmplice” consciente desta “italianização” da sociedade portuguesa…

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