José Paulo Fafe

Troca de letras…

O CORPORATIVISMO é, possivelmente , um dos piores males que grassa na nossa sociedade. Então quando falamos da classe médica – e salvo raras e honrosas excepções – o panorama é, no mínimo, assustador! Tem tudo isto a ver com as declarações ao “DN” de hoje de um tal Jorge Breda, presidente do Colégio de Oftalmolgistas da Ordem dos Médicos (curiosamente também liderada pelo oftalmologista Pedro Nunes…) a propósito dos doentes que têm que ser enviados para o estrangeiro a fim de serem tratados a patologias do foro oftalmológico, nomeadamente na Suiça e nos Estados Unidos. Diz tamanha “sumidade”, com ar pomposo e sabedor: “Mas não tem nada a ver com os casos de Cuba, estamos a falar de coisas sérias“, tentando assim desvalorizar o êxito estrondoso que tem constituido o tratamento em Cuba, a expensas da sua autarquia, de quase duas centenas de habitantes de Vila Real de Santo António e que aguardavam há anos uma resposta eficaz do nosso Serviço Nacional de Saúde e dos oftalmologistas portugueses. ´
Para o dr. Breda é fácil falar de cátedra, difícil (se não mesmo perigoso…) era manter essa postura perante alguém que, após anos e anos de espera e de não ter meios para recorrer à clínica privada (onde os preços praticados são, no mínimo, escandalosos!) voltou a recuperar a visão e a dignidade que lhe faltava. Um conselho ao dr. Breda: meta-se no carrinho, vá até ao sotavento algarvio, procure algum dos doentes que a Câmara Municipal levou até Havana e “conte-lhes dessas”… Vai um aposta que não faltará quem troque os “érres” pelos “és” e o mande à “berda”?!

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  • É miserável a forma como estes médicos se portam e brincam com a dignidade de quem nada tem. Como é possível que se trate dessa forma ligeira as pessoas que às custas da sua Cãmara foram até Cuba e ali receberam a atenção, o carinho e o tratamento que lhes recusaram no seu próprio país. Esse dr. Breda que tenha juízo. O problema dele é que assim começa a acabar-se com a especulação e com os autênticos “roubos” que as clínicas privadas levavam a cabo! Ele que apareça cá por Vila Real de Sto. António e vá dizer isso na cara do meu avô que, mesmo com os seus 81 anos, ainda tem forças para corrê-lo a pontapés no dito…

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