José Paulo Fafe

Sobre a Grécia, é claro…

Grecia-2

CONFESSO QUE percebo (e quero perceber) pouco e apenas o suficiente da situação grega e não faço grande esforço para cumprir mais que os chamados “minímos olímpicos”, quanto mais não seja para não me sentir na obrigação de participar no patético e por vezes néscio debate que opõe nesta ponta da Europa os que, à falta de melhor causa, clamam por um tal de oxi e outros que, esgrimindo a velha história que os gregos pouco ou nada fazem e vivem acomodados, na falta das bananeiras, à sombra das oliveiras, defendem mais e maior austeridade para um país que parece que teima em não cumprir rígidos e porventura desajustados acordos estabelecidos. O que eu percebi, isso sim, nestas últimas horas foi fundamentalmente três coisas: a primeira que o tal de oxi (“não”) ganhou e por uma margem mais do que razoável, dando assim algum fôlego interno ao governo do Syriza e do direitista Anel; a segunda que a pergunta que surgia no boletim de voto que foi ontem apresentada aos gregos num referendo convocado com sete ou oito dias de antecedência era esta: “Deverá ser aceite o projeto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25.06.2015 e que consiste em duas partes, que constituem a sua proposta unificada? O primeiro documento intitula-se ‘Reformas para a Conclusão do Presente Programa e Mais Além’ e o segundo ‘Análise Preliminar à Sustentabilidade da Dívida’” – o que, convenhamos, é de uma simplicidade, compreensão e transparência a toda a prova…; e a terceira é que essa pop star chamada Varoufakis aproveitou a festa da vitória e deu “às vila de Diogo”, talvez passando assim a ter mais tempo para posar com a mulher para uma qualquer “Paris Match”, dar uma voltas na sua “Harley” e,  mais importante do que qualquer coisa, auferir uns chorudos cachets para dar umas conferências por esse mundo fora. Essas três coisas eu já percebi. Falta-me perceber como é o que o resultado do referendo de ontem vai mudar a vida dos pobres gregos. Isso ainda não percebi. Se alguém me puder explicar, eu agradecia…

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