José Paulo Fafe

Só lhe falta (mesmo) o nariz vermelho…

O NOSSO País é cada vez mais useiro e vezeiro em dar voz e palco a umas personagens que se têm a si próprios em grande conta. Da direita à esquerda e da esquerda à direita, a nossa cada dia mais pobre cena política está enxameada desses patetuços que acreditam na sua indispensabilidade e que – no mínimo – a Pátria não sobreviveria sem o seu (acham eles…) inestimável contributo. Aliás, a existência desses “cromos” não é de hoje – quem não se lembra da forma primorosa como Eça os retratava e as páginas admiráveis que nos legou descrevendo os tiques e poses rídiculas dessas criaturinhas? Até aqui tudo bem, até porque o pendor dessa gente para cretinice e para a imbecilidade muitas vezes nos serve de lenitivo em momentos mais cinzentos e tristonhos que possamos atravessar, tal a galhofa que nos causam. O problema coloca-se quando eles ultrapassam a fronteira do razoável… E Fernando Nobre é um exemplo claro disso mesmo. A figura, a pose e o “folhetim” que protagonizou (pelo menos até ontem) começa a ter contornos mais sérios, até porque as implicações a que a sua vaidade e teimosia conduzem levam qualquer pessoa com dois dedos de testa a começar a ficar assustada com o protagonismo que lhe é concedido e que ele, célere e impante, não resiste a cavalgar.
A cena confrangedora daquela declaração idiota de Nobre, rodeado por dois “monos” que pareciam uma versão mais grotesca e rasca do Rocinante e do Sancho Pança de um D. Quixote de pacotilha, vai ficar nos anais do nosso Parlamento, tal o número de baboseiras que ele conseguiu proferir em pouco mais de um minuto e após ter sido duplamente humilhado por duas votações consecutivas para a presidência da Assembleia da República. Não fosse a oportuna intervenção do sempre atento e experiente Zeca Mendonça que, com um não muito discreto empurrão, o colocou longe dos microfones e câmeras, a esta hora Nobre ainda estaria debitando imbecilidades. E o que começa a ser grave não é o facto do que ele possa dizer… Grave começa a ser a tendência dos nossos jornalistas em darem voz e cara a alguém a quem só falta o nariz vermelho para ser, definitivamente, um palhaço!

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