José Paulo Fafe

Sai uma bola de berlim!


JÁ AQUI escrevi e repito: causa-me alguma irritação ver, surgidos do nada, sabe-se lá investidos em que legitimidade, um sem-número de criaturas que pregam a ética e a moral, quais profetas do bem e que se julgam donos e senhores da verdade e da razão. Refiro-me a uns quantos que ultimamente, certamente à falta de “emprego” ou de ocupação mais rentável, pelam-se para falar de cátedra, do alto de uma importância que só eles reconhecem e tendo-se a si próprios em grande conta, vivendo nestes períodos pré-eleitorais, em permanente tournée estival à imagem e semelhança de um qualquer cantor pimba ou de um ou outro “kinito” da vida. São gente que fala, fala e… nada diz – a não ser um chorrilho de lugares comuns, com um ar e ênfase de tratarem-se das coisas mais importantes e quase sempre encantando plateias sequiosas de escutar de forma mais erudita as típicas conversas de paragem de autocarro.

Vem tudo isto a propósito de um tal Paulo Morais, expoente máximo de um certo trauliteirismo nacional e que raro é o dia em que não surge como líder de um fascizante “justicialismo” lançando suspeições, indirectas e aleivosidades sobre tudo e todos, contribuindo à sua maneira para desacreditar um regime que, pese todos os defeitos, ainda possui mecanismos suficientes para afastar quem lhe é nocivo e quem o põe em causa. Agora foi a vez de aparecer aqui por Cascais, a convite de uma senhora que, de ziguezague em ziguezague acabou agora a liderar um movimento “independente” à sua imagem e semelhança – ou seja, um bocadinho apatetado… E por cá, à falta de poder apontar o dedo a quer que seja, a Morais restou-lhe perorar contra o regime e os partidos e dizer umas quantas barbaridades que de tão pascácias e tolas, só vem dar ânimo aqueles para quem a democracia é o pior dos males e a causa de todos os problemas.
Desconheço se estes “faróis da ética” cobram, ou não, cachet pelas suas prestações, mas já nada me espantaria, tal a insanidade que tem vindo a tomar conta deste país, em que o disparate e a patetice são premiados e onde qualquer um que diga a primeira coisa que lhe passe pela cabeça – de preferência sem pensar, mesmo! – tem honras de destaque. Mas acredito que, a este e em Cascais, pelo menos lhe tenham dado uma bola de berlim…

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  • Tenho ouvido e lido o Morais. Não conheço o sujeito nem directa nem indirectamente. Mas uma coisa me tem dado que pensar : Morais aponta factos e nomes concretos, ás vezes com um pormenor, quási diria provocatório, a que as autoridades competentes não deveriam fazer orelhas moucas. Mas, estranhamente, fazem. E aí começa a minha estranheza: se o Morais difama, justiça com ele. Se o Morais fala verdade(e até agora não tive conhecimento de nenhum desmentido) entendo naturalmente que não se pode fugir a uma investigação séria, alheia à cor dos olhos, quer do Morais, quer dos que ele acusa. Mas nada acontece, e isso, sim, me parece grave escândalo. Isso, caro Fafe, é que merece crítica e forte, a denunciar esta estranha abdicação do exercício da autoridade por parte dos órgãos e instituições em que repousa a badalada soberania do (coitado) do povo. É aí que radica grande parte dos problemas que estamos (alguns, muitos) a sofrer.
    Quanto à senhora que convidou o Morais e outras minudências do estilo, nas tintas.

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