José Paulo Fafe

Recado com destinatáro…

AS PALAVRAS são de Mário Soares e reflectem bem uma certa angústia por parte de aqueles que – quer se goste ou não – possuem uma dimensão, experiência e “mundo” que falta a tantos que por aí pululam numa ânsia louca e desvairada de alcançar e manter o poder: Quando o País acordar dessa campanha eleitoral, que só desacreditará os Partidos – os políticos e o País – quem terá condições efectivas para governar e nos tirar da crise? E por quanto tempo? Passos Coelho? Outra vez, Sócrates? À beira da bancarrota, o Povo Português estará então, desesperadamente, a pedir um governo de salvação nacional ou até: um salvador (que felizmente parece não ser fácil encontrar) visto não estarmos nos anos trinta do século passado…No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. Tem ainda um ou dois dias para intervir. Conhece bem a realidade nacional e europeia e, ainda por cima, é economista. Por isso, não pode – nem deve – sacudir a água do capote e deixar correr. Como se não pudesse intervir no Parlamento – enviando uma mensagem ou chamando os partidos a Belém – quando estão em jogo, talvez como nunca, “os superiores interesses nacionais”. Tanto mais que, durante a campanha eleitoral para a Presidência, prometeu exercer uma magistratura de influência activa. Não pode assim permitir, sem que se oiça a sua voz, que os partidos reclamem insensatamente eleições, que paralisarão, nos próximos dois meses cruciais, a vida nacional, em perigo iminente de bancarrota.

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