José Paulo Fafe

Que tal ir lamber sabão, dr. Sampaio?


NÃO PERCEBO se é uma questão de “lata” em demasia, de senilidade não tão precoce quanto isso ou se, pura e simplesmente, Jorge Sampaio perdeu definitivamente a vergonha na cara. Porquê? Porque exactamente a mesma criatura que em 2004, irresponsavelmente e por motivos ainda hoje insondáveis, demitiu um governo com maioria parlamentar estável e significativa e abriu caminho a seis anos de um governo do seu partido que levou o País praticamente à bancarrota, vem hoje, candidamente, defender a estabilidade governativa e rejeitar a demissão do executivo de Passos Coelho argumentando que uma eventual instabilidade política seria “uma experiência que não se deseja”… Embora já ninguém leve Sampaio a sério e pouco importa o que ele (não) tem para dizer, há limites para tudo, especialmente para a falta de vergonha!

5 ComentáriosDeixe um comentário

  • «Tomei a decisão que vos anuncio em coerência com as minhas posições de sempre e tendo em conta a avaliação que faço do interesse nacional. (…) Quando no início do Verão passado (…) optei, após cuidadosa ponderação, por não dissolver a Assembleia da República e nomear o Dr. Pedro Santana Lopes primeiro-ministro, depois de o seu nome me ter sido indicado pelo principal partido da coligação governamental, decidi nesse sentido porque a maioria parlamentar me garantiu poder gerar um novo Governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do país e de mobilizar os Portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos. (…) E explicitei que manteria em permanência ‘a minha avaliação das condições de manutenção da estabilidade governamental’. (…) Entretanto, desde a posse do XVI Governo Constitucional, e depois de lhe ter assegurado todas as condições necessárias para o desempenho da sua missão, o País assistiu a uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o país vive. Refiro-me a sucessivos incidentes e declarações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral. Dispenso-me de os mencionar um a um, pois são do conhecimento do país. (…) Por diversas vezes e por formas diferentes, dei sinais do meu descontentamento com o que se estava a passar. (…) Neste quadro (…) entendi que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência. Entendi ainda que se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos. Assim, e face a uma situação cuja continuação seria cada vez mais grave para Portugal, entendi, em consciência, que só a dissolução parlamentar representava uma saída»
    (extratos da mensagem do Presidente da República Jorge Sampaio ao país, 10/12/2004)

    Uma “saída” que nos trouxe até à situação atual. Muito obrigadinho sr. ex-presidente!
    Custa-me a crer que tenha sido essa a intenção, mas as declarações recentes de Jorge Sampaio não podem ser entendidas como um assumir de culpa pela solução apresentada em 2004? Quer dizer que, se pudesse voltar atrás, já não faria o mesmo?

  • Tenho um carinho especial por este individuo. Apesar da sua esmerada educação conseguiu enganar muitos portugueses. Um cínico e hipócrita!
    Não bastava ter colocado os miseráveis quadros da Nossa Senhora da psicopata Paula Rego na Capela de Belém, e com isto conseguiu desrespeitar a grande maioria dos portugueses como ainda conseguiu dissolver uma maioria parlamentar.
    Quando PSL estava na CML entupia os serviços com reclamações, cartas e correspondência da Casa da Presidência da Republica, quando não lhe agradava as respostas, do alto da sua instituição fazia queixas dos funcionários insolentes.
    Estamos a pagar facturas elevadas devido a estas lutas fratricidas dentro do PS. Gente estuporada que se serve do país e dos portugueses.

  • Eis a resposta. Segura e bem fundamentada. Tudo isto para se perceber melhor – ou simplesmente estranhar – as declarações do ‘arrependido'(?)Jorge Sampaio de 2012…

    “A atitude de Jorge Sampaio será devidamente apreciada pela História. Quando um Chefe de Estado faz o discurso de dissolução justificando-a com episódios… Que episódios? Ao tomar uma atitude drástica, o Presidente da República deve apresentar uma causa da maior gravidade – e isso nunca conseguiu fazer. O primeiro-ministro deve ter feito algo de muito grave; deve ter tomado alguma decisão muito errada, prejudicando os interesses do País. Seja o que for. Mas não aconteceu nada disso. Ainda por cima, os números dos indicadores económicos comprovam que nem a tensão política existente afectava a recuperação ligeira que se estava a verificar e que tornou o ano de 2004 no melhor dos últimos cinco anos. Se não era isso – se não eram as decisões e se não eram os resultados -, tinha de haver uma qualquer causa muito forte…

  • No dia seguinte, com a presença de todo o Governo em São Bento, clarificaria a situação criada pelo Presidente da República, apresentando a demissão do Governo nestes termos:
    «Respeito – como todos os Portugueses o devem fazer – a decisão do Chefe de Estado, apesar de discordarmos profundamente dos argumentos invocados. No discurso de tomada de posse do XVI Governo Constitucional, o Presidente da República lembrou solenemente os requisitos fundamentais para a manutenção da confiança neste executivo:
    Em primeiro lugar, a coesão da maioria parlamentar que apoia o Governo.
    Em segundo lugar, a continuação das principais políticas do anterior Executivo relativamente ao ‘projecto de integração europeia enquanto linha essencial da política externa portuguesa’ e, também, em relação às finanças públicas.
    A maioria parlamentar manteve a sua coesão intocável. Honro-me, honra-se o Governo, do apoio que sempre mereceu dos deputados. Do mesmo modo, verificou-se a continuidade e aprofundamento das políticas no ‘dossier’ da integração europeia e o cumprimento integral da agenda internacional e das nossas obrigações na frente externa. Verificou-se, assim, o respeito pelas linhas gerais do Programa sufragado em Março de 2002. Mantivemos o rumo, os compromissos assumidos com o Chefe de Estado e com os representantes do povo português na Assembleia da República. (…)
    Apesar de estar a meio da Legislatura, o Governo que lidero não se furtou a tomar as medidas impopulares mas imperiosas para a prossecução das reformas necessárias ao desenvolvimento de Portugal: na Lei das Rendas, nas SCUTs – com respeito pelos direitos adquiridos -, nas importantes decisões em empresas públicas como a TAP, a Galp e a Caixa Geral de Depósitos – mesmo quando elas afectaram militantes do partido ou partidos da coligação; no Pacto para a Justiça; no combate aos incêndios; nas medidas contra a evasão fiscal; no levantamento parcial do sigilo bancário; no escrupuloso respeito pela manutenção abaixo dos 3% do desequilíbrio das contas públicas – uma opção assumida, não por imposição de Bruxelas, mas por força dos princípios deste Governo, na linha da exigência de controlo das contas públicas; na publicação do Relatório sobre os Oceanos; sobre o desenvolvimento sustentável. E tantas outras medidas, tomadas em apenas quatro meses!
    Teria sido interessante ter ouvido ontem o senhor Presidente da República proferir uma palavra sobre o mérito das medidas estruturantes que ousámos tomar, uma palavra de apreço ou uma palavra de discordância por essas medidas deste Governo empossado em 17 de Julho de 2004 e avalizado há alguns dias com a posse de novos membros do Governo. Durante estes quatro meses, existiram gestos que em pouco favoreceram a harmonia institucional e a serenidade na actuação do Governo.
    Cito apenas três exemplos: a convocação de economistas ao Palácio de Belém que criticaram as opções do Orçamento de Estado; noutro momento, as divergências manifestadas publicamente sobre a política de Saúde; ou mesmo a chamada ao palácio presidencial de um comentador de uma estação privada de televisão num momento particularmente sensível.
    A importância das reformas em curso contrasta com a insignificância dos incidentes que ontem não foram especificados. Talvez por se tratar de ‘episódios’ meramente protocolares e secundários e que, no entanto, foram apresentados como fundamentos da decisão.»”

    Do livro “Percepções e Realidade” de Pedro Santana Lopes

  • Amigo ZPF
    Li no blog do PSL esta frase num dos comentários.
    Concordo:
    “…….Sampaio é um hipócrita mentiroso que engravidou pelos ouvidos e deixou-se levar pelos telefonemas de Cavaco e os segredos melosos de Sócrates que com toda a sua trupe esperava o poder para continuar a engordar as contas nas Offshore .
    Viu-se o resultado!!!
    Banca rota meu caros, banca rota foi o resultado de Sampaio ter golpeado bem baixo o Governo Santana……….”

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