José Paulo Fafe

Quando o protesto é alarve…

ATRAVÉS DO “Facebook” o meu antigo colega e excelente fotojornalista Fernando Ricardo “permitiu-me” a alguns milhares de quilómetros seguir quase a par e passo a manifestação que ontem, em Lisboa,  juntou alguns (muitos) milhares de portugueses que sairam à rua protestando contra as medidas de austeridade que, desde a assinatura do famigerado memorando com a “troika”, estão a ser implementadas. E se é verdade que é perfeitamente compreensível a vontade, o querer e a necessidade das pessoas expressarem a sua indignação, também não é menos verdade que ontem assistimos a uma verdadeira prova de imbecilidade de uns quantos energúmenos que, na falta de argumentos, optaram por protestarem empunhando cartazes obscenos, insultuosos e que só mostram o estado a que chegou o nosso País. Uma coisa é criticar, protestar e manifestar a nossa indignação; a outra é recorrer ao insulto gratuito, boçal e grosseiro, mesmo que recorrendo a “pérolas” do mais fino recorte literário de autores como o desaparecido marido da inefável D. Pilar  ou pintando “bigodinhos à Hitler” nas fotos de Passos Coelho. Santa ignorância… Mas o que se há-de fazer? Este é o Portugal que temos – o dos Cristianos Ronaldos da vida e do boné ao contrário, dos realistic shows, o destes idiotas para quem protestar contra o governo é pintar umas alarvidades nuns cartazes e sair às ruas ao jeito daqueles que, nas Antas e Alvalade, empunham umas cartolinas pedindo umas camisolinhas ou implorando para os camera men que os filmem de modo que as mãezinhas os vejam lá em casa. E no fim acabam todos a beber umas “bijecas” ao balcão, a comerem tremoços e a arrotarem uns para cima dos outros. Ou não é assim?

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