José Paulo Fafe

O PSD e o erro de uma coligação pré-eleitoral

BOLETIM

LEMBRO-ME BEM dos termos em que, em 2001, Pedro Santana Lopes, numa sala do palacete que a sua candidatura ocupava no Princípe Real, me justificou a decisão de não ceder às pressões que o queriam ver coligado com o CDS/PP na corrida à presidência da câmara de Lisboa: “Uma aliança com o Portas só vai restringir o meu crescimento à esquerda”, disse-me, de estudos de opinião na mão e interpretando um visível “capital de simpatia” que a sua candidatura mostrava junto de faixas do eleitorado que à partida poderiam parecer “propriedade” de João Soares. Então, para Santana, uma hipotética vitória dependia dessa mesma “franja” de eleitores que, votando tradicionalmente à esquerda, naquela disputa confessavam preferi-lo a Soares. E a “leitura” das sondagens e dos cruzamentos era clara – mostravam-lhe que essa franja de eleitores estava disposta a votar nele, desde que não aparecesse coligado com Paulo Portas, já na altura a liderar o CDS e então naquela versão algo “fuheriana” de um famoso e patético “eu fico!“. Semanas mais tarde, a 16 de Dezembro desse ano, os resultados deram razão a Santana Lopes, que foi eleito presidente da Câmara. Quanto ao líder do CDS, esse, viu-se aflito para conseguir um lugar na vereação e o categórico “eu fico” deu rapidamente lugar a um “vou ali e não volto”, quando conseguiu ser ministro da Defesa do governo de Durão Barroso.

Obviamente que este exemplo, que já tem 14 anos, vale o que vale e que a conjuntura não é de todo semelhante à que se vivia então no  consulado “guterrista” – mais que não seja porque, hoje e devido às medidas restritivas postas em prática desde 2011, o PSD terá pouca chance de crescer à sua esquerda. Mas a acreditar nos números que mostram um CDS na casa dos 5 ou 6 por cento, ou seja reduzido a pouco mais que a sua base minima e com reduzida chance de viabilizar qualquer governo (seja com o PSD ou mesmo o PS) a disputa eleitoral resume-se claramente a um embate entre os dois principais partidos do espectro politico nacional. E o facto do PSD surgir nas sondagens com uma intenção de voto que não chega aos 30 por cento, obrigará Pedro Passos Coelho a construir a sua (re)candidatura ao cargo de primeiro-ministro, mostrando ao espaço do centro-direita e da direita que o único candidato não-socialista com alguma chance de disputar o cargo com António Costa é ele mesmo – ou seja, tentando crescer à direita…

Num momento em que se discute uma hipotética coligação pré-eleitoral entre PSD e CDS e quando já se percebeu que a opção por listas conjuntas entre os partidos do actual governo não possui qualquer chance em sair vitoriosa das eleições de Outubro, restará ao PSD apresentar-se sózinho nas urnas. Só assim, poderá fazer parte de qualquer solução governativa post-eleitoral – ainda para mais num momento em que tudo indica que nenhuma formação conseguirá obter a confortável maioria absoluta que lhe permita formar governo sem recorrer a acordos governativos ou parlamentares. Optar por formar uma coligação pré-eleitoral com o CDS, além de apenas beneficiar na prática o partido de Portas, será um erro estratégico colossal e condicionará decisivamente o PSD nos próximos anos.

2 ComentáriosDeixe um comentário

  • Amigo ZPF
    Totalmente de acordo com a tua visão e mais sabendo que gente como eu que votávamos CDS enquanto Portas lá estiver no o faremos,ou seja que “talvez” votássemos PSD no caso de ir sozinho a eleições.(no meu caso nunca pois em Passos jamais votaria mas sei de gente que talvez o fizesse e com coligação ficam em casa).
    Por aqui “Podemos” perde terreno na ordem de 3 e 4 pontos ao mês e “Cidadanos” cresce ao mesmo ritmo,como era de esperar. PP e PSOE descem se bem que o PP continua a liderar as sondagens. Não é de admirar pois a dívida pública já se vende a negativo,ou seja,os credores PAGAM para comprar dívida pública espanhola,o desemprego apesar de alto desceu muito e está a níveis de há 13 anos atrás,a economia espanhola cresce acima da média europeia e o Governo tem feito o possível e impossível para limpar os corruptos nos Partidos.(a semana passada Rato,ex-Vice Primeiro Ministro(aqui Presidente do Governo) foi preso por corrupção).
    Dá vontade de perguntar se Rajoy consegue porque Passos não.
    Eu sei a resposta mas aqui não te a posso dar……..
    Hoje li esta notícia e lembrei-me do meu querido e atrasado Portugal….
    “El tren de levitación japonés bate récord de velocidad a 600 km por hora” http://economia.elpais.com/economia/2015/04/21/actualidad/1429614235_298972.html
    Portugal é terra de auto-estradas ridículas pois não se pode andar a mais de 120km/h (não podemos nós comuns mortais.O Soares vai a 230 e não passa nada).
    Cavaco gastou milhões de euros em asfalto para 4 gatos novos ricos guiarem os Audis da vida em vez de ligar Lisboa à Europa com a alta velocidade.
    O Lusitânia-Express demora 10 h. e 13 m tal como nos anos 50 do século passado,para fazer menos de 500 quilómetros entre Madrid e Lisboa e custa quase 100 euros ida e volta. Nem se pode comentar pois não há palavras para descrever…..
    Os mesmos 500km fazem-se em 2h entre Londres – Paris, ou Madrid – Sevilha e mais barato.
    Um país atrasado,quinto-mundo com um povo estupidificado,inculto,parvo,que vota gente que não seriam nem sapateiros noutra parte do mundo.
    É uma VERGONHA e mais vergonha é ver que assim seguirá no próximo milénio.
    Fico cabisbaixo,sem energia…quando penso o que Portugal podia ser e o que dele fizeram nos últimos 41 anos…..

  • Amigo ZPF
    O PS continua com a sua propaganda…..
    Depois de “Passos se passar” em meter as mãos nos bolsos de quem nunca se deveria ter atrevido pois são idosos com necessidades e com reformas MISERÁVEIS,o que o faz o pior jamais tido num governo,agora vem este esbanjar o que não existe…..

    “PS: em vez de cofres cheios, bolsos cheios”
    http://expresso.sapo.pt/ps-em-vez-de-cofres-cheios-bolsos-cheios=f920878#ixzz3Y2TFRnG5

    Sobre as políticas do actual governo nem comento pois o inexplicável é isso mesmo, mas que o “Number two” de Sócrates venha com a mesma política económica que nos levou à banca rota,é algo extraordinário.
    Que o povinho portuga quer é ouvir isso? Lógico.
    Que é uma grande mentira? Claro que sim.
    Que todos vão cair na mesma e votar neles? SEM PESTANEJAR
    Que dentro de 6 anos vamos estar a chamar o FMI? MAIS CLARO QUE A ÁGUA DO LUSO
    “Povo que lavas no rio e talhas com teu machado as tábuas DO TEU caixão”!!!!

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