José Paulo Fafe

Portugal e Guiné-Bissau: uma oportunidade perdida

PARA QUEM conhece minimamente a Guiné-Bissau e a sua realidade, a posição da diplomacia portuguesa relativamente à deposição do Presidente da República interino e do governo daquele país é no mínimo  hipócrita. Ao longo dos anos, Portugal fechou os olhos a tudo o que sucedia naquela antiga colónia – às falcatruas eleitorais, à violência surda, gratuita e muitas vezes “selectiva” que atingiu muitos dos que nos eram mais próximos, aos negócios  feitos à custa dos cargos político-governativos, às relações promíscuas entre o poder e o narco-tráfico. 
Hoje, um grupo de militares apoiado pela esmagadora maioria dos partidos políticos guineenses (à excepção, claro, de um PAIGC caduco e subordinado à lógica das negociatas do seu líder Carlos Gomes Júnior) tomou o poder e, até prova em contrário, pretende restabelecer os alicerces de um Estado que há muito deixou de existir, numa oportunidade única e talvez derradeira de um país que está, desde há anos, à beira de desintegrar-se. E em vez de assumir uma posição simultaneamente equidestante e conciliadora,  Portugal optou por colocar-se inequivocamente ao lado dos que, com uma legitimidade mais do que duvidosa, contribuíram decisivamente para a destruição da Guiné e das suas instituições. As declarações de teor e tom perfeitamente despropositado do  ministro dos Negócios Estrangeiros português, além de mostrarem desconhecimento da realidade e um servilismo perigoso relativamente a Angola e às suas tentações hegemónicas na região, só contribuem para “fechar as portas” a um diálogo em que Portugal poderia jogar um papel determinante. Para trás fica, mais uma vez, uma oportunidade perdida…

2 ComentáriosDeixe um comentário

  • Caro Fraga
    Rendido aos “seus” encantos ( ou os que pensa ter….. ).
    Aquilo não dá ponto sem nó.
    Eu, eu, depois eu e depois eu.
    Engraçado. Os políticos Portugueses em geral pensam que são melhores pessoas ( mais inteligentes e espertas ) que todos os outros…
    Posso ficar aqui o dia todo a indicá-los mas deixo uns nomes. Soares e filho, Cavaco, o marginal da Covilhã ( perigoso esse ), Portas, Ferreira Leite, Louçã e por aí fora…e quando pensávamos que já chegava de esperteza bem saloia, vai daí e aparecem as Teixeiras da Cruz e Victor Gaspar. Este último passa-se de tudo quanto de negativo pode ter um governante.

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