José Paulo Fafe

Paulo Portas vs. Zé Castelo Branco

TENHO AMIGOS que acham que, no debate de ontem entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, a vitória foi do segundo. Pela minha parte, acho que foi mais um empate… Mas entendo quando escuto os argumentos desses meus amigos e quando me apontam dois ou três momentos em que o líder do CDS/PP marcou pontos relativamente ao seu oponente. No fundo, o que faltou a Passos Coelho para levar o adversário “às cordas” foi um killer instint que ele não possui ou não o deixam usar. Sejamos claros: por muito ar zombeteiro de Portas coloque enquanto os seus oponentes falem e quando as câmeras o focam, por muito ênfase que ele coloque nas frases que vêm minuciosamente preparadas e não passam de sound bytes que visam tentar conferir-lhe um ar respeitável e de estadista e por muita e contínua adulteração de factos que insista em fazer, Paulo Portas não passa de um embuste.
Portas é assim uma espécie de “boneco” de ele próprio, construído e moldado consoante as circunstâncias, ao sabor de ventos e marés, um pouco à imagem e semelhança (sem ofensa, claro…) do celebérrimo José Castelo Branco que adequa poses e vestimentas conforme esteja na “Quinta das Celebridades” ou na “Tribo dos nãoseiquê“. Enquanto o Zé põe a capeline para ir ao Goucha, o Paulo escolhe o boné de agricultor para rumar à Ovibeja… O “Chateâu” opta pelos Dior com salto de 15 centímetros para ir à “gala da TVI”? É certo e sabido que o Paulinho calça o botim para ir até à “Feira do Cavalo” na Golegã… O Castelo Branco enfia-se numas leggings para ir (com a Betty) a uma discoteca na Foz do Arelho promover o seu último disco? O Portas escolhe uns jeans desbotados para ir reunir com uns estudantes e promover o seu manifesto eleitoral. E enquanto o “cromo” pavoneia-se em frente aos fotógrafos com uma écharpe Chanel a condizer ton sur ton com o cinto Gucci, o nosso político enfarpela-se com um fato cinzento às “risquinhas de giz” para ir ao nosso Parlamento, qual lord inglês na Câmara dos ditos, interpelar o primeiro-ministro…
Certamente por receio em “hipotecar” alguma hipótese de entendimento próximo, Passos Coelho perdeu uma excelente oportunidade de desmascarar de vez Portas e aquela sua irritante pose de pretenso “homem de Estado”. De confrontá-lo com as responsabilidades que ele obviamente (também) possui na situação a que chegámos, de “recordar-lhe” incongruências, situações menos claras e erros por ele protagonizados enquanto governante e, a jeito de estocada final, perguntar-lhe “olhos nos olhos” se, no fundo, Portas achará mesmo que os portugueses não têm memória, se lhe passa pela cabeça que acreditarão naquele seu ar de “virgem” que não tem, nem teve, nada a ver com o que se passou e passa no nosso País. Repito: certamente Passos Coelho teve receio de poder comprometer um futuro entendimento entre PSD e CDS. Nada mais errado! Só quem não conhece a sede e ânsia que Portas possui em voltar ao poder a qualquer preço e, diga-se em abono da verdade, seja com quem for, é que poderia ter esse receio…

4 ComentáriosDeixe um comentário

  • Este é o Fafe que conheci.Uma forma de escrever inteligente e bem construida que já tinhamos saudade…Há muito ,muito tempo que não reconhecia a tua forma de escrever.Hoje revi-a.Não a mudes outra vez.É assim que as pessoas gostam de te ler.Inspira calma e segurança e não o ressabiado cansativo.

  • Parabéns! É difícil descrever melhor Paulo Portas! Conseguiu pôr a nu a artificialidade de alguém em que tudo aquilo cheira a falso e oportunista.
    Cumprimentos,
    Vasco Silveira (Lisboa)

  • O Dr. Paulo Portas tem um sentido de Estado e um percurso enquanto governante que ninguém poderá questionar. Só alguém mal-intencionado como vocês é que alguma vez podem pôr em causa a coerência, a coragem e a determinação de quem irá ser muito brevemente o nosso primeiro-ministro. E nesse dia vão engolir todas as asneiras que andam para aí a dizer! Tenham vergonha!!!!!!

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