José Paulo Fafe

Portas e a sua (previsível) candidatura presidencial


ANDA TUDO muito entretido à direita a adivinhar quem chegará à linha de partida para as próximas presidenciais – se Marcelo, se Santana Lopes ou se até Durão Barroso – e ninguém se preocupa em interrogar-se o que irá na cabeça de Paulo Portas… E é exactamente aí que  reside o busílis, ou melhor é exactamente através da “corrida” a Belém que eu acho que o líder do CDS tentará ver-se livre da “camisa de onze varas” onde está metido e neste momento autenticamente manietado. Senão vejamos: com o CDS a definhar (e nunca será demais lembrar que muito desse “definhamento” deve-se à penosa e triste cena que Portas protagonizou no último Verão); com Passos Coelho a ocupar-lhe gradualmente o seu espaço político; e com o mais do que provável entendimento a médio-prazo, até por pressão dos nossos credores externos, entre PSD e PS – o que resta a Paulo Portas senão tentar mostrar, através de uma candidatura presidencial, que o seu “ciclo” à frente do CDS terminou e que, por outro lado, o seu peso lado é superior ao do seu próprio partido? Diz-me um amigo que os interesses de Portas são outros – de cariz mais fisiológico, digo eu. Talvez, acredito que sim… Mas uma coisa não impede a outra, até se complementam. E esta suposta candidatura, para além de servir para medir o seu peso eleitoral e deixar uma “semente”, servirá também para algo que Portas, sempre que pode, não enjeita em fazer: um serviço a uma certa esquerda. À bon entendeur…

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