José Paulo Fafe

Por cima de patada… coice!


ISTO HÁ coisas que me fazem uma grande confusão… Acabei de ler que no despacho em que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal arquivou as suspeitas contra o vice-presidente asngolano e o governador da província de Kuando Kubango, Manuel Vicente e Higino Carneiro respectivamente, o procurador encarregue dos casos manifestou o desejo que esta sua decisão possa “contribuir para desanuviar o clima de tensão diplomática que tem ensombrado com mal-entendidos a amizade entre os dois povos irmãos“. Independentemente da justeza do arquivamento (que aqui não é questionada, era só que faltava!), o que eu de facto não consigo entender é a necessidade e a oportunidade de um procurador tecer considerações sobre assuntos e temas que não são obviamente da sua competência. Será que esse procurador não tem noção que uma coisa é a lógica da justiça e outra é a da política? E que por muito bem intencionado que estivesse quando resolveu entrar nessas elucubrações de teor político-diplomático só veio prestar um péssimo serviço ao preclitante estado das relações luso-angolanas? E que essa passagem do seu despacho vai naturalmente ser brandida pelos que mais tarde ou mais cedo o acusarão, a ele mesmo, de ceder a supostas pressões do poder político português para que procedesse esse arquivamento? Será tão difícil perceber tudo isso? Ou será que sou eu que ando a ver mosquitos na outra banda?

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