José Paulo Fafe

Pobre “DN”…

POR MUITA contenção que se queira ter, até pelo muito respeito que se tenha por uma história de anos e anos e pela memória que nos suscita tanta e tanta gente que por ali passou, é difícil olhar para o que é hoje o “Diário de Notícias” com outro sentimento que a comiseração pelo estado a que chegou aquele que já foi, de facto, o principal diário português. A definhar de dia para dia (então, segundo me dizem, em termos de vendas é o caos…), raro é o dia em que o outrora credível “DN” não nos brinda com claros exemplos de pura e simples ignorância. E não me venham dizer que a culpa é dos jovens jornalistas, hoje mal pagos e recrutados à pressa, que enxameiam as redacções… Não! A culpa é de quem revê, de quem coordena, que quem edita, de quem dirige! A notícia publicada hoje acerca do início do julgamento do chamado “mensalão” no Brasil é o exemplo claro de como é possível descer tão baixo no que é rigor jornalístico. Como é que é possível afirmar, ainda por cima em título, que se escreva que o governo de Lula será julgado por corrupção a partir de 1 de Agosto? Como é que é possível afirmar que o processo do “mensalão” provocou a renúncia de “vários ministros”, quando apenas o ministro da Casa Civil abandonou o cargo? Como é que é possível escrever que o ministro da Fazenda se demitiu na sequência do chamado “mensalão”? Tudo isto se define numa simples palavra: ignorância.

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