José Paulo Fafe

Os energúmenos bósnios são mais energúmenos que os nossos?

FOI NO mínimo rídicula e bem reveladora da mesquinhez que tomou conta da mentalidade de muitos de nós, a forma como a generalidade dos meios de comunicação social noticiaram a presença da selecção portuguesa na Bósnia-Herzegovina. Desde a SIC-Notícias, com uma postura alarmista, a interromper a emissão para noticiar que os jogadores portugueses tinham sido insultados à chegada ao aeroporto de Sarajevo por uma “multidão de adeptos bósnios enfurecidos” (minutos mais tarde viu-se um punhado e meio de “índios”, perante o sorriso e a calma dos atletas portugueses, a fazerem exactamente a mesma figura com que os energúmenos das nossas claques normalmente recebem as equipas adversárias…), até ao comentador da TVI a mal-conter a sua indignação pelo almoço que os responsáveis federativos bósnios ofereceram ao sr. Madaíl e companhia só ter-se iniciado (imaginem!) às três e meia da tarde ou pelo som dos seus auscultadores estar a ser “sabotado”, ouviu-se um pouco de tudo! E o modo como foi encarado o facto dos adeptos bósnios terem assobiado o nosso hino nacional antes do início do encontro?! E o “crime de lesa-majestade” perpretado por esses mesmos adeptos que, na noite que antecedeu o encontro, lançaram dois ou três foguetes junto ao hotel onde os jogadores portugueses pernoitavam?! Alguém se lembrou de perguntar a cada um dos seleccionados quantas vezes, ao serviço dos seus clubes, lhes aconteceu exactamente o mesmo em Portugal? Era capaz de ser interessante!
E já agora, também não fazia mal nenhum nenhum lembrar que esta “terrível” estada na Bósnia não teria ocorrido se, como seria normal, a selecção portuguesa tivesse garantido o apuramento nos jogos do seu grupo, sem ter de recorrer a um “play off”…

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