José Paulo Fafe

O Presidente de alguns portugueses…

TALVEZ POR nas últimas horas ter lido bastas referências aquela estafada e gasta denominação de “o Presidente de todos os portugueses”, dei por mim a fazer as contas das últimas eleições presidenciais – as que em 23 de Janeiro de 2011 reelegeram Cavaco Silva. E por mais boa vontade que possa ter, por mais contas de somar e subtrair que possa fazer, continuo “na minha”, ou seja, a reiterar o que escrevi nessa mesma noite: o actual inquilino do palácio de Belém pode ser tudo o quiser, menos ser ou intitular-se como tal “presidente de todos os portugueses”. Porquê? É tudo uma questão de fazer contas… Cavaco foi eleito apenas por 23 por cento do eleitorado, repito, 23 por cento! Como? Fácil. Do universo constituído por 9 milhões 543 mil e 550 eleitores, o actual chefe de Estado apenas recolheu a preferência de 2 milhões 209 mil e 277 portugueses… Os restantes 7 milhões 334 mil e 323 eleitores optaram  por abster-se (5 milhões 111 mil e 701!); votar nos seus adversários (1 milhão 948 mil 316); não preencher sequer o boletim (189 mil 893); ou mesmo anular o seu voto – 84 mil 413
Convenhamos que assim é difícil, senão impossível, alguém ufanar-se de ser o “presidente de todos”. É Presidente da República e… como diz o outro, já é um pau!

15 ComentáriosDeixe um comentário

  • Até podia ter recebido os votos de apenas 1% dos eleitores registados. A partir do momento da tomada de posse é, de facto, o Presidente de todos os portugueses. É assim que funciona a democracia representativa.

  • Prezado Sr. Amado Lopes,

    Entendo obviamente a lógica do seu raciocínio, ainda que – confesse – continuo “na minha”, que é como quem diz, defendo que Cavaco SIlva não pode auto-intitular-se “Presidente de todos os portugueses” porque, de facto, não o é, isto ao contrário dos seus antecessores Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio que tiveram toda a legitimidade em intitular-se como tal.
    Permita-me chamar-lhe a atenção para os números: enquanto Cavaco recebeu a preferência de 2209.277 portugueses, 2222.622 optaram por votar nos seus adversários, branco ou nulo. Ou seja, do universo dos que se pronunciaram através da presença nas urnas, o actual PR recolheu menos 13.345 votos (à volta de 0,3%) que todos as outras opções. Na minha opinião é um dado a ter em conta, não acha?
    Cumprimentos,
    ZPF

  • Segundo “a sua”, num país com 10 milhões de eleitores, um Presidente eleito com 50.001 votos numa eleição com abstenção de 99% pode intitular-se “Presidente de todos os portugueses” mas se fôr eleito com 499.999.999 votos numa eleição com 0% de abstenção já não.

    Faz sentido.

  • Amigo ZPF
    Infelizmente sabemos que a formula eleitoral é ridícula, assim como nos USA em que Bush filho ganhou no passado a Al Gore com MENOS votos.
    Em Portugal Cavaco gasta-nos 16 milhões ao ano com 23 ridículos porcento do universo eleitoral,como dizes e bem.
    Já dizia o outro que a Democracia era a coisa errada mais parecida com a verdade.
    Hoje aqui no frio, pertinho de Sua Majestade, acordei com uma surpresa na televisão.
    A BBC falava na censura em Portugal e como o Presidente da República tentava calar os opositores.
    Sabes que os Britânicos são em muitas coisas chatos e arrogantes, falsamente educados e riem quando te estão a matar, no entanto não toleram gente corrupta nem imaginam outra coisa no mundo que a verdadeira Democracia.
    Falaram de que um tal Jornalista,Miguel Sousa Tavares, tinha chamado ao PR de Palhaço e que este o queria meter na cadeia.
    Que ia apanhar 3 anos.
    Fiquei de boca aberta.
    Isto nas notícias das 2H, na BBC.
    Vim á Net ver o que se passava e mais surpreso fiquei:
    “President Anibal Cavaco Silva’s popularity has plummeted over his cabinet’s austerity measures”…
    Repara que aqui assumem que É ELE QUEM MANDA EM PORTUGAL!!!
    http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-22663977
    Palhaçadas à parte penso que se cada vez que um Jornalista dissesse o que lhe vai na alma fosse parar à prisão, por esse mundo fora estavam 90% presos…….percentagem bem mais alta, amigo ZP que os míseros, repito, míseros 23 que puseram Cavaco em Belêm……………..
    Não votei nele e sim, não é o meu Presidente!

  • Se o Sr. Amado Lopes insiste em considerar que alguém que, independentemente da abstenção (já nem falo nisso…), recolheu menos 13 mil 345 votos da preferência da totalidade dos eleitores que foram às urnas pode intitular-se “o Presidente de todos os portugueses”, o que é que eu hei-de fazer?! Números são números, ou acha que não?
    Cumprimentos,
    ZPF

  • A expressão “Presidente de todos os portugueses” tem um significado institucional e refere-se a se aceitar o método de eleição (o que implica considerar TODOS os Presidentes da República como “de todos os portugueses”), um significado aritmético (neste sentido, como “maioria” não é “todos”, nenhum Presidente foi, é ou será “de todos os portugueses”) ou um significado político (o que significa que o +1 que faz a diferença entre minoria e maioria não pode de forma alguma “representar” a maior ou menor minoria que votou mas não no Presidente eleito).
    Se quer realmente usar o argumento de que “números são números”, então não pode pretender que o que os números significam dependem das simpatias pessoais de cada um. Nomeadamente das suas.
    .
    O Sr. Fafe tem todo o direito de afirmar que, como não reconhece Cavaco Silva como o seu Presidente, ele não pode ser o “Presidente de todos os portugueses”. Não tem o direito de dizer que Cavaco Silva não é o Presidente dos que não votaram nele porque, tanto quanto sei, nenhum deles lhe passou procuração.
    Mas, claramente este seu problema é com a pessoa, não com a aritmética, a que se alia o seu conhecido problema de gostar de ser “criativo” com o significado dos termos quando quer ajustar contas com alguém.
    .
    E o “Sr. Amado Lopes” prefere ser tratado por Joaquim.

  • O Sr. Amado Lopes, perdão, Joaquim continua “na sua” e eu, se me permite, continuarei “na minha” – aliás insisto em recordar que o actual Presidente da República não conseguiu recolher nas urnas mais votos que os seus adversários, os votos brancos e os nulos, conseguindo a “proeza” de ser eleito com apenas cerca de 49,7 dos votos expressos…
    E esta “aritmética” nada tem a ver com a pouca ou nenhuma simpatia que a pessoa em causa me merece, tem isso sim a ver com números, apenas e só números. E esses são claros e só não os leva em conta quem não quer.
    Está obviamente no seu direito.
    Só a terminar e para que não reste mesmo qualquer dúvida: tenho pena, muita pena mesmo, de ter um Presidente da República chamado Aníbal Cavaco Silva. Mas é o que temos, n’é? O que vale é que é que já faltou mais para que o nosso País possa ter a oportunidade de se ver representado por alguém com outra dimensão e estatura.
    Mas isso é outra questão e só a mim diz respeito. O que interessa são os numeros. E esses não mentem, especialmente para quem raramente se engana e nunca tem dúvidas…
    Cumprimentos,
    Zé Paulo

  • Eleições Presidenciais de 1986 – 1ª volta
    Inscritos: 7.617.257
    Votantes: 5.742.151
    Freitas do Amaral: 2.629.597 votos
    Mário Soares: 1.443.683 votos
    Salgado Zenha: 1.185.867 votos
    Maria de Lurdes Pintasilgo: 418.961 votos
    .
    Eleições Presidenciais de 1986 – 2ª volta
    Inscritos: 7.617.733
    Votantes: 5.937.100
    Mário Soares: 3.010.756 votos
    Freitas do Amaral: 2.872.064 votos
    .
    Eleições Presidenciais de 2011
    Inscritos: 9.657.312
    Votantes: 4.492.453
    Cavaco Silva: 2.231.956 votos
    Manuel Alegre: 831.838 votos
    Fernando Nobre: 593.021 votos
    Francisco Lopes: 301.017 votos
    José Coelho: 189.918 votos
    Defensor Moura: 67.110 votos
    .
    Em 1986 e um de 4 candidatos, Mário Soares passou à segunda volta com 25,1% dos votos (expressos, brancos e nulos).
    Na segunda volta recebeu 76,5% dos votos (expressos, brancos e nulos).
    .
    Em 2011 e um de 6 candidatos, Cavaco Silva recebeu 49,7% dos votos (expressos, brancos e nulos) e não houve 2ª volta.
    .
    O sr. Fafe, perdão, Zé Paulo tem razão em duas coisas.
    Os números realmente não enganam e cada um que fique na sua.
    .
    E não se preocupe que ninguém tem a mínima dúvida de que o seu problema não tem nada a ver com quantos votos Cavaco Silva recebeu ou não mas apenas com o facto de ter “pena, muita pena mesmo, de ter um Presidente da República chamado Aníbal Cavaco Silva”. Expressão que, aliás, levanta uma dúvida.
    Quanto o Sr. Fafe, perdão, Zé Paulo diz que “tem” um Presidente chamado Aníbal Cavaco Silva, está a dizer que Aníbal Cavaco Silva é o “seu” Presidente?
    .
    Cumprimentos.

  • Numa coisa, pelos vistos, estamos de acordo: o candidato Aníbal Cavaco Silva, reeleito Presidente da República a 23 de Janeiro de 2011, não obteve 50 % dos votos expressos. Entendo que não seja “confortável” exercer um mandato nessas condiçóes que – convirá (ou não?) – fragilizam o seu desempenho. Do mesmo modo que acredito não ser nada “agradável” para quem defende tão tenazmente o “direito” do actual titular do cargo em se intitular “o Presidente de todos os portugueses” em reconhecer a crueza dos números…
    Quanto à questáo que me coloca, tenho todo o gosto em esclarecê-lo: sem qualquer dúvida preferia que o nosso País tivesse outro Presidente da República. Infelizmente é o que temos, isto independentemente de eu não me sentir representado pela pessoa em causa. Fui claro? Espero que sim, Joaquim…
    Cumprimentos,
    Zé Paulo

  • Numa coisa, pelos vistos, estamos de acordo: o candidato Aníbal Cavaco Silva, reeleito Presidente da República a 23 de Janeiro de 2011, não obteve 50 % dos votos expressos. Entendo que não seja “confortável” exercer um mandato nessas condiçóes que – convirá (ou não?) – fragilizam o seu desempenho. Do mesmo modo que acredito não ser nada “agradável” para quem defende tão tenazmente o “direito” do actual titular do cargo em se intitular “o Presidente de todos os portugueses” em reconhecer a crueza dos números…
    Quanto à questáo que me coloca, tenho todo o gosto em esclarecê-lo: sem qualquer dúvida preferia que o nosso País tivesse outro Presidente da República. Infelizmente é o que temos, isto independentemente de eu não me sentir representado pela pessoa em causa. Fui claro? Espero que sim, Joaquim…
    Cumprimentos,
    Zé Paulo

  • “Numa coisa, pelos vistos, estamos de acordo: o candidato Aníbal Cavaco Silva, reeleito Presidente da República a 23 de Janeiro de 2011, não obteve 50 % dos votos expressos.”
    Quando li isto a minha reacção foi “não, não estamos de acordo” mas afinal, em rigor, até estamos.
    Em 23 de Janeiro de 2011, Cavaco Silva não obteve 50% dos votos expressos, obteve mais. É que os votos expressos não incluem os brancos nem os nulos.
    Se Cavaco Silva não tivesse recebido pelo menos 50%+1 dos votos expressos, teria havido uma segunda volta.
    .
    Quanto à outra questão, não, não fiquei esclarecido porque o Zé Paulo se enrola na semântica para não responder directamente ao que lhe é perguntado. Cavaco Silva é ou não o seu Presidente?
    .
    Se com não se “sentir representado pela pessoa em causa” quer dizer que Cavaco Silva não é o “seu” Presidente então não percebo qual é critério que usa.
    O Zé Paulo sentir-se ou não representando pelo Presidente eleito depende de quantas outras pessoas votaram nele (a base do seu post) ou da avaliação que faz do seu desempenho e simpatia que tenha por ele?
    .
    Pela minha parte, dou esta conversa por encerrada e este foi o meu último comentário.
    Se responder ao que lhe perguntei ficarei esclarecido. Se não responder não vale a pena insistir mais.
    .
    Cumprimentos.

  • Para mim, formalismos à parte, “votos expressos” são exactamente aqueles que são, passe a redundância, expressos – que é como quem diz, dos eleitores que se apresentam nas urnas…
    Quanto à sua outra “dúvida”, já percebi que o Joaquim tem alguma dificuldade em entender. Independentemente de Cavaco Silva ser o Presidente da República Portuguesa, eu não lhe reconhecer legitimidade para se arvorar como “o Presidente de todos os portugueses”. Será preciso relembrar-lhe os numeros ou “fazer um desenho”?
    Cumprimentos,
    Zé Paulo

  • Caros amigos
    Eu diria que Cavaco é Presidente de Portugal,não de todos os Portugueses.
    Meu não é certamente.Nem sequer votei nele.Não lhe reconheço isso.
    Lembram-se que “ele” disse um dia que os Portugueses tínhamos que nascer duas vezes para ser tão honestos como ele quando se descobriu que andou alegadamente a especular com acções em que havia comprado por um euro e vendeu umas semanas ou meses depois por 137 euros,segundo li na época?E da alegada permuta duma casa no Algarve que afinal estava só na planta pois a casa que tanto valia não existia,segundo tambêm li e vi fotocópias das plantas?
    Bom, foi nessa altura que nos passou um atestado de corruptos, a todos que só nascemos uma vez.Insulto total à boca cheia aos portugueses.
    Isso deixou muito boa gente de boca aberta e sentiu-se insultada,como eu, e ninguêm o meteu em tribunal por esse insulto generalizado à população portuguesa.
    Se calhar seria hora de MST devolver a pedrada.
    Cavaco pode ter tomado posse porque pelas contas oficiais “tem” que ser Presidente mas isso não lhe dá legitimidade para se sentir Presidente de todos e ele sabe bem que o não é.
    Para não falar da popularidade actual do PR que nunca foi tão baixa,aliás nunca um PR teve uma tão baixa nas sondagens de opinião, nem o golpista!!!

  • Eu acho que Miguel Vaz Serra resumiu bem a situação em que se encontra, desde 23 de Janeiro de 2011, o cidadão Aníbal Cavaco Silva: é Presidente da República Portuguesa, não sendo por isso “o presidente de todos os portugueses”. Como diz um amigo meu oficial-general… “tão simples, tão sinmples que até militar entende”. Sem ofensa, claro…

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