José Paulo Fafe

O poder de influenciar

HÁ UMAS horas atrás, um amigo confessava-me que achava que eu zurzia em demasia no Presidente da República e que, contrariamente ao que eu pensava, Cavaco Silva não tinha outro remédio senão entregar a resolução desta embrulhada política em que o País está envolvido à Assembleia da República: “Estás a ser injusto com o homem porque ele, com os poderes que tem, pouco ou nada pode fazer”, dizia-me. Só que, na minha opinião, a questão não é uma questão de poderes presidenciais, mas sim de oportunidade, bom-senso, responsabilidade (muita) e também (muita) seriedade intelectual por parte de quem é o mais alto magistrado da Nação e que detém mais do que óbvias responsabilidades em protagonizar o encontro de uma solução para tudo isto. E numa altura desta, o que eu espero de qualquer Presidente da República é que, em primeiro lugar, faça tudo para evitar que o País seja novamente chamado às urnas. E não há ninguém melhor que quem hoje ocupa o cadeirão presidencial em Belém “apadrinhar” e promover um encontro que junte à mesma mesa os principais líderes políticos, os dirigentes sindicais, os responsáveis pelas associações patronais, os banqueiros, os principais empresários (Alexandre Soares dos Santos, Américo Amorim, Belmiro de Azevedo, João Pereira Coutinho, por exemplo…), a Igreja e uma “mão-cheia” das chamadas personalidades de referência em diversas áreas e encontre uma “plataforma de entendimento” que permita que esta legislatura chegue ao seu termo. Só isso… Ou é pedir muito? Será que Cavaco Silva ainda não percebeu que exercer o cargo de Presidente da República não é fazer discursos críticos e logo em seguida virar as costas e assobiar para o lado; ou que o maior “poder” que ele pode possuir é exactamente o de influenciar, aconselhar e ajudar a encontrar o melhor caminho para todos? É que ser Presidente da República não se reduz a fazer “roteiros”, dizer umas banalidades e mandar içar a flâmula verde quando se está no palácio…

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