José Paulo Fafe

O meu (não) voto

NUNCA, ATÉ hoje, deixei de votar. Neste, naquele, no outro, com maior ou menor convicção, em branco, mas sempre (sem excepção) votei… Mais: sempre considerei as eleições presidenciais um pouco como “a mãe de todas as eleições”, aquelas em que mais obrigado me sentia em comparecer e expressar o meu voto. Votei Eanes contra Soares Carneiro; Salgado Zenha na primeira volta das eleições de 1985, contra Soares, Pintasilgo e Freitas do Amaral; branco na segunda volta, quando Soares foi pela primeira vez eleito; branco, cinco anos mais tarde; Cavaco quando este perdeu para Sampaio; branco na reeleição deste último, em 2001; e Soares há cinco anos, preferindo-o obviamente a Cavaco e a Alegre e talvez até em jeito de alguma “revolta” pela forma como vi o País tratar alguém a quem – quer se queira quer não… – devemos alguma coisa.
Vem tudo isto a propósito das próximas eleições, quando a 23 de Janeiro, se enfrentarem nas urnas Cavaco Silva, Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes e um tal de Defensor de Moura. Aí, pela primeira vez na minha vida, vou abster-me, não vou sequer exercer o meu direito de voto… E faço-o na iminência da vitória de Cavaco, pelo seu desempenho nos últimos anos, tanto enquanto Presidente, quanto auto-intitulada “referência moral” do nosso País (para mim, para ser referência de qualquer coisa, porventura sê-lo-á lá do Poço de Boliqueime ou da Travessa do Possolo…) e onde colocou descarada e ardilosamente os seus interesses e ambições políticos à frente do compromisso que possuía perante quem nele confiou. Eu sou um dos que “torce” para que na noite do dia 23 de Janeiro, o prof. Cavaco não possua a legitimidade de se arvorar em “presidente de todos os portugueses”, sou um dos que anseia que mais de metade dos portugueses com capacidade eleitoral (e muitos deles naturais eleitores do próprio Cavaco) saibam desta forma expressar inequivocamente o seu desagrado quanto à actuação matreira de quem, objectivamente, defraudou quem nele depositou alguma esperança.

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  • Cavaco é sem dúvida a maior fraude política do momento, mais até que José Sousa de São Bento, que a 20-09-2000 disse dele mesmo no DN que nunca seria Primeiro por, “não ter as qualidades que um PM deve ter”, pois ele Cavaco é o culpado deste papagaio ainda lá proliferar…
    As história das acções do BPN e um sem fim de disparates feitos e ditos neste últimos anos, o não defender-se e ao Estado Português da risada de toda a Europa quando fomos chacota mundial na boca do P. da R. Checa, fizeram deste PR pior ainda que o golpista Sampaio.
    Para meter a cereja no topo do bolo, diz-me numa entrevista que sabia muito bem que íamos a caminhar para esta “cloaca socialista”, ou seja não fez nada para modificar o destino visionado, e depois já rebentando o Chantilly diz que o PR não pode fazer nada. Não? Então e como já li algures antes, não faz falta nenhuma e se assim é, demita-se e peça ao Governo para referendar a República!!!!
    Cavaco NUNCA! Nem com molho de ostras!

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