José Paulo Fafe

O meu amigo Gigi

GIGI

ONTEM FOI dia de festa. E eu longe, sem poder estar lá… Mas a pena de não estar, misturado com saudade de quem nos convidou e a quem iamos celebrar, com amizade por toda a família e a inevitável nostalgia por todo aquele entorno, acaba inevitavelmente em texto. Que certamente pecará por defeito, até por escrever sobre o  Gigi Reino não é coisa que se resuma a um post de um blogue, requer mestria e saber que permita escrever o romance em que ele será justamente protagonista. Porque o Gigi é daquelas pessoas que, conhecendo-se, é impossível não gostar. E muito. É uma “figura” no sentido mais taurino do termo, pela “aura” que transporta, pela arte, pelo talento em (saber) estar.  Talvez pelo bigode, não sei, sempre me lembrou o Clark Gable – desde o primeiro dia em que o vi, lá para as bandas da Várzea, sei lá já há quantos anos… Mas lembra, não sei se só pelo bigode, se por “trazer” alguma coisa daquele tempo. Grande conversador, extraordinário contador de estórias, o Gigi tem para dar e vender o que falta a tanta e tanta gente: “mundo”. E além de ter esse mesmo mundo, é, ele próprio, “um mundo” – pelo que viveu, por quem conheceu, pelo que viu, pelo que leu, pelo que ouviu, pelo que olhou com aquele seu olhar simultaneamente matreiro e doce e a que não escapa pitada. Não tenho qualquer dúvida que seria facilmente uma personagem do Hemingway, alguém a quem o escritor certamente não resistiria, assim uma espécie de mistura do Santiago do “Velho e o Mar” ou do autobiográfico Jake Barnes do “Fiesta” (“The Sun Also Rises“). No fundo, o Gigi é uma “personagem” – no sentido mais elogioso do termo, longe dos estereótipos destes tempos e ainda mais longe da ideia que muitos formam dele à distância e sem o ter conhecido.

O Gigi é uma pessoa que consegue falar com o mesmo entusiasmo e conhecimento de um vinho que acabou de descobrir, como do último livro ou artigo que leu, seja ele sobre o islamismo, sobre a crise política no Brasil ou sobre o escândalo da Volkswagen; que discute acaloradamente tanto sobre a malfadada cozinha molecular como sobre as conquistas da Revolução Cubana, de que é certamente o maior adepto na Quinta do Lago e em tudo à volta; que tem como amigos e parceiros de mesa tanto, por exemplo, o presidente do Bundesbank como o servente de pedreiro que está a fazer a obra da casa ao lado; e que é  capaz de (d)escrever pormenorizadamente às 5 da manhã a história e origem dos “ovos benedict” ou se abalançar sobre o fogão e criar, ele próprio e com dois ou três ingredientes, um petisco de cair para o lado. Esse é o verdadeiro Gigi, um Gigi que “bombardeia” os amigos com madrugadores “sms’s”, todos escritos com letra maiúscula e que são verdadeiros “tratados”, onde o humor inteligente e uma deliciosa ironia estão sempre presentes no olhar que ele deita à sua volta.

Mas o  Gigi é também um bocadinho Leonor, um bocadinho Maria João, um bocadinho Bernardo, um bocadinho Duarte, e agora também  um bocadinho  Maria, Carmo, Maria João, Isabel e Benjamim. E também, “cheira-me” um bocadinho dos muitos amigos que ele tem por esse mundo fora… Sabem que mais? O Gigi é… o Gigi! E eu, à conta dele,  comecei a fazer uma distinção entre as pessoas – entre os que conhecendo-o gostam dele e os que não gostam. Ou seja, entre inteligentes e burros… Palavra de Fafinni!

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