José Paulo Fafe

O homem que “marcou” dois séculos

NO PRÓXIMO dia 1 de Janeiro assinalam-se os cinquenta anos do triunfo da Revolução Cubana. Há exactamente meio-século, o regime liderado por Fulgêncio Baptista dava os últimos suspiros e Fidel Castro preparava-se para entrar vitorioso em Havana (o que veio a acontecer dois dias depois), após a porventura mais fascinante “guerra de guerrilhas” alguma vez ocorrida – até se tivermos em conta que apenas em dois anos antes, os 11 homens e sete armas que restaram de um atribulado desembarque derrotaram, com ínequívoco e massivo apoio popular, um exército regular e bem armado.
É difícil ser indiferente ao que se passou em Cuba neste meio-século e facilmente ou se ama ou se odeia… Passe a imodéstia, eu considero-me dos que acha que é possível reconhecer tanto aspectos positivos (e são alguns) como fracassos (existem e não são poucos…), sem maniqueísmos facilitistas e primários. E se é verdade que num dos pratos da balança, eu coloco (sem qualquer margem de dúvida!) a alfabetização, a assistência médica, o acesso à educação; no outro prato eu não posso esconder as limitações às liberdades individuais (hoje, se comparado com o que se passava há 10 ou 15 anos atrás, atenuadas) e aos direitos cívicos ou as visíveis “bolsas” de pobreza.
Para mim, a grande questão é saber se num futuro próximo, será possível compatibilizar a liberdade (que falta) com as conquistas sociais (que existem e com que a esmagadora maioria dos cubanos se habituaram a contar). Duvido que isso venha a acontecer, muito mais agora num mundo globalizado e em crise e onde o Estados e governos se demitem cada vez mais do que nos habituámos a considerar como suas obrigações e deveres naturais.
Não sei se a história absolverá, ou não, Fidel Castro. Uma coisa é certa: condenado por uns, idolatrado por outros, Castro conseguiu ser um homem que “marcou” (e de que maneira!) dois séculos. E isso, a ele, deve bastar…

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  • A Liberdade é um bem supremo. Não há Educação que a ultrapasse. Não há perdão para quem sequestra o seu povo no próprio país. Morrer sem ver o mundo? Morrer por querer ser livre e conhecer novos mundos?

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