José Paulo Fafe

O casal “contentinho da silva”

NÃO É segredo para ninguém que, por vezes, o casal Cavaco Silva não resiste a um certo deslumbre, que é como quem diz a deixar-se seduzir pelo poder e sua liturgia. “Estórias” não faltam – umas verdadeiras, outras falsas, outras que apenas pecam por algum exagero por  parte de quem as conta. E diga-se em abono da verdade que a maioria dessas “estórias” até têm como protagonista aquele verdadeiro paradigma de um certo intelectualismo de trazer por casa que dá pelo nome de Maria Cavaco Silva, a quem apontam (sabe-se lá se injustamente…) um verdadeiro e irresistível fascínio por estas coisas relacionadas com o poder – e não o próprio Cavaco Silva, que nestas coisas dizem (coitado…) não passar de um “pau mandado”. Mas vem tudo isto a propósito da cerimónia que ontem teve lugar em Cascais e que, sob o “disfarce” de visita às obras de remodelação do Palácio da Cidadela e de inauguração de  exposição intitulada “Jogo da Glória”, não foi mais do que a visita do casal Cavaco a um palacete que desde os tempos do Rei D. Carlos serve como “residência de Verão” do chefe de Estado e que agora, por “obra e graça” do erário público, foi palco de uma profunda obra de reabilitação de forma a poder servir o fim a que é destinado há mais de um século. Ninguém contesta a necessidade da obra em causa, o que sim espanta é que em tempos de “austeridade digna” (e aqui cito o próprio Presidente da República), o casal presidencial não tenha tido o bom-senso e a maturidade de, pura e simplesmente, poupar o País a mais um exercício de bacoco e triste deslumbre. E para que não restem dúvidas sobre o ar “contentinho da silva” de Maria e Aníbal ao visitarem aquele que pode vir a ser o seu refúgio de fim-de-semana, aqui fica o link da reportagem fotográfica publicada no site da Presidência da República – http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=59496.

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