José Paulo Fafe

O "artista"…

PANDEGOS

RARA É a semana em que, no seu espaço televisivo semanal de “comentário político”, Luís Marques Mendes não serve de porta-voz ao governo, umas vezes de forma mais objectiva, outras de modo mais dissimulado e”oblíquo”. E a gratidão por parte da Gomes Teixeira (atenção que eu não referi S. Bento…) tem sido de tal ordem, que também é rara a semana em que o maneirinho Mendes não surge com uma “cacha” governamental, daquelas de fazer inveja ao mais afoito dos repórteres. E paralelamente, à excepção da sucessora do seu amigo e compincha Miguel Macedo (a quem zurze praticamente todas as semanas), Mendes fez sempre questão de poupar a críticas os membros do governo, quando não mesmo de encontrar maneira de gabar-lhes a sua prestação. Tudo navegava num mar de rosas até sexta-feira, quando o governo preferiu a proposta do consórcio David Neeleman/Humberto Pedrosa à do seu cliente Germán Eframovich na privatização da TAP… Aí, pronto… o caldo entornou-se e Mendes, a assessorar o candidato derrotado neste dossier, numa birra mal disfarçada, apressou-se a arranjar maneira para classificar no seu espaço televisivo o ministro Pires de Lima e o secretário de Estado Sérgio Monteiro como “uns pândegos”. Pois é, está tudo explicado: eles, os membros do governo que decidiram contra o cliente do “comentador” são uns pândegos. E o “comentador”? Esse, no mínimo, é um “artista”…

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