José Paulo Fafe

Coragem, precisa-se…

NÃO SEI bem porquê, mas depois de constatar que hoje, mais uma vez, o Presidente da República optou por fazer substituir-se num evento para o qual estava convidado por uma gravação vídeo(!), dei por mim a “vasculhar” a agenda de Cavaco Silva nas últimas semanas, mais concretamente as suas aparições públicas… E tirando a presença no quadragésimo aniversário do semanário “Expresso” no dia 7 de Janeiro; a tradicional cerimónia de cumprimentos do Corpo Diplomático que teve lugar no Palácio de Queluz no dia 15 de Janeiro; e a chamada “abertura do ano judicial” que ocorreu no Supremo Tribunal de Justiça no penúltimo dia do mês passado (e onde entrou autenticamente “cercado” por seis agentes do corpo e segurança pessoal da PSP!), constatei que este ano foram estas as únicas três vezes que Cavaco se atreveu a pôr o pé fora do “eixo Travessa do Possolo-Palácio de Belém”. Uma constatação que revela bem de que “massa” é feita esta criatura, cujas provas de falta de coragem são sobejamente conhecidas e datam – pelo menos… – dos tempos em que nos anos setenta, ainda professor no ISE e diante de uma contestação (ordeira, diga-se de passagem) por parte de um grupo de alunos, lhe deu um  “fanico”… 
Eu sei que os tempos não estão fáceis, que não falta quem “grandoleie” por tudo o que é lado e por dá cá aquela palha. Como também sei que há muita gente irritada, zangada, furiosa e a quem sabe bem soltar, à passagem de quem a seus olhos represente o poder, alguns insultos e palavrões. Mas, como diz o “outro”, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele – que é como quem diz, quem anda nestas lides da política, tem de saber lidar com os bons e… maus ventos. E aqui, por  muito que custe a alguns, honra seja feita a Passos Coelho, alvo máximo da natural contestação popular e que ainda ontem, em plena Faculdade de Direito de Lisboa, cruzou impávido e dignamente os corredores perante vaias e protestos de dezenas de opositores. Teve aí a coragem que falta (de sobra) a quem, até na sua qualidade de chefe de Estado, tem a obrigação e o dever de dar o exemplo…

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