José Paulo Fafe

Montepio: a exposição ao BES

tomas

NAS ÚLTIMAS semanas, quem tenha estado minimamente atento às movimentações e rumores nos meios financeiros já se apercebeu que o Montepio Geral tem merecido particular atenção, tanto por parte da entidade reguladora, como dos analistas e da imprensa especializada. Por um lado, os rumores e boatos têm-se sucedido e por outro, Tomás Correia, o presidente do banco, tem-se desdobrado em entrevistas e declarações, numa overdose noticiosa que começa a ser contraproducente e tem feito soar óbvias “campainhas de alarme” junto de alguns depositantes mais receosos – especialmente num tempo em que ainda está bem presente a catástrofe que se abateu sobre o BES, já para não falar dos “episódios” BPN e BPP…

Dos muitos boatos que têm circulado nos últimos tempos sobre o banco liderado por Tomás Correia, sabe-se agora que pelo menos um deles tem algum fundamento – o que referia uma significativa exposição do Montepio ao grupo Espírito Santo. Ainda hoje, o “Observador” revela a existência de financiamentos na ordem de 60 milhões de euros a duas empresas do grupo – a Tivoli Hotéis e a Espírito Santo Hotéis. A essas duas empresas, somam-se, segundo garantem alguns analistas financeiros, outras entidades informalmente ligadas ao grupo que foi em tempos liderado por Ricardo Salgado, caso por exemplo da Ongoing. Ainda há uns meses, a habitualmente bem-informada jornalista Cristina Ferreira referia no jornal “Público” uma exposição do Montepio Geral ao “universo Espírito Santo” a rondar os 200 milhões de euros. Os críticos de Tomás Correia acusam o presidente do  Montepio de ter tido sempre “uma grande dificuldade em dizer que ‘não’ a Salgado“, que é como quem diz  em não aceder aos muitos pedidos que o líder do clã Espírito Santo lhe dirigiu nos últimos anos para deitar a mão a algumas empresas do grupo. E essa dificuldade, segundo os opositores de Correia, era de tal ordem que chegou mesmo a traduzir-se na nomeação do antigo presidente da Câmara de Grândola para a administração do Montepio, uma nomeação que muitos entenderam como um “prémio” pelo desempenho que Carlos Beato teve enquanto autarca do município onde está integrada a herdade da Comporta…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *