José Paulo Fafe

Memórias do PS da São Pedro de Alcântara…

FONTE LUMINOSA

O PARTIDO Socialista que eu conheci e onde convivi com um empenhado e então jovem António Costa foi o PS da luta contra o “gonçalvismo”; o PS do comício do Pavilhão dos Desportos contra a unicidade sindical; o PS da luta pela liberdade de imprensa (é preciso lembrar o “Caso República”?); o PS dos comícios da Alameda e das Antas; o PS que conspirou com o “grupo dos 9” para suster a ofensiva totalitária de uma esquerda destrambelhada que nesses anos perdeu o tino e a noção da realidade. Foi esse o PS, ainda o da São Pedro de Alcântara (ainda não existia Emenda, muito menos Rato…) em que se “formaram” Costa, Carlos César e alguns outros (não todos…) que hoje ocupam cargos de responsabilidade no partido – o PS do “socialismo em liberdade”, o PS da primeira linha do combate pela liberdade, o PS que se traduzia num espaço aglutinador e abrangente para quem defendia os verdadeiros ideais do 25 de Abril. Nesses temos eu estava lá, nesse PS. Convicta e militantemente.

Na barricada oposta, estavam outros, curiosamente muitos deles hoje aparentemente rendidos e convertidos às virtudes do que eles nesses tempos desdenhosamente consideravam como “democracia burguesa” e que agora desesperam e anseiam por ver o partido que mais tarde os albergou envolvido num acordo historicamente “contranatura”. Então, para esses,  Mário Soares era “um traidor”, o PS um “partido da reacção”, quando não mesmo “fascista” e o poder popular a meta a impôr de qualquer jeito e por cima de toda a a folha. Muitos deles são os que surgem agora, muitos anos depois, na pele de fervorosos militantes socialistas, sedentos e não escondendo um insaciável apetite pelo poder, a clamarem por um governo que junte PS e “tudo o que mexa” à sua esquerda – mesmo que programaticamente de forma incoerente e ao arrepio de uma história e de um ADN que se confunde com o da Democracia portuguesa.

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