José Paulo Fafe

Marques Mendes e “Argileu Palmeira”


QUEM SE lembra da primeira versão da telenovela “Gabriela” que tanto furor fez em Portugal, certamente estará recordado de uma caricata personagem, interpretada pelo actor Hugo Carvana, que respondia pelo nome de “Argileu Palmeira” e que por “dá cá aquela palha”, solícito e exageradamente reverente, estendia o seu cartão de visita ao interlocutor que lhe calhava em sorte, sempre recitando o que lá vinha impresso: “Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, ou seja: advogado de grau e capelo, e bacharel em letras. Promotor público da comarca de Mundo Novo, no sertão baiano. Para servi-lo, caro senhor“. Não sei porquê, mas cada vez que apanho com os comentários televisivos de Luís Marques Mendes é inevitável que vir-me à memória o impagável “Argileu Palmeira” e a forma lesta como a personagem oferecia os seus serviços. Ainda ontem, quando vi o entusiasmo com que Mendes na SIC “elegeu” Zeinal Bava e Isabel dos Santoscomo as personalidades do ano na área da economia, não consegui deixar de imaginá-lo, de cartão de visita na mão e tal e qual a personagem criada por Jorge Amado é descrita no guião daquela telenovela: “um cinquentão enorme e gordo, mulato bem claro e bem apanhado, de sorriso largo e cabeleira em juba, vestido com caças de listas, paletó e colete de mesela” – isto apesar do irrequieto Mendes não ser nem enorme, nem gordo, nem o seu cabelo se assemelhar a uma juba. Embora há quem diga  que ele está feito um verdadeiro “leão” no que diz respeito à “consultadoria”, ou seja um autêntico rei na “selva”. Quem diria, ahn?

P.S. – Ah, é verdade! Neste sábado, em resposta a uma pergunta da pivot do Jornal da Noite, Marques Mendes saiu-se com esta: “A minha sorte é não ser primeiro-ministro“. Eu por acaso, acho que a sorte não é dele – é nossa, mas pronto…

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