José Paulo Fafe

Marina Silva e os conselhos divinos…


QUANDO, HÁ uns anos, bateu à porta do então presidente Lula para apresentar a sua demissão como ministra do Ambiente do governo do PT, Marina Silva não arranjou melhor justificação que confessar ao seu líder: “Lula, eu falei com Deus e ele disse-me que este era o momento para sair…“. Apanhado de surpresa com o motivo apresentado pela sua ministra, Lula apenas conseguiu pedir-lhe um tempo até arranjar um substituto. Os meses foram passando e Marina continuou no cargo. Daí a uns tempos voltou à carga. Mas Lula já estava “vacinado” para esses argumentos “divinos” e disparou: “Marina, vais ter de aguentar. Sonhei com Deus e Ele disse-me que ainda não é o momento de saíres“… E Marina aguentou mesmo – mais um ano na pasta. Lembrei-me desta história deliciosa agora que a até ontem candidata presidencial levou um “banho” nas urnas, não conseguindo passar à segunda volta das presidenciais brasileiras. Será que, vinte e quatro horas depois do desaire, Marina ainda estará a pedir contas a Deus pela derrota que sofreu? Ou será que acha que tudo não passou de “um castigo divino” e deixou-se conversas?

3 ComentáriosDeixe um comentário

  • (CONTINUAÇÃO)Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.
    E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
    Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
    Vale e Azevedo pagou por todos?
    Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
    Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
    Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
    Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
    Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
    No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
    As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
    (CONTINUA)

  • (CONTINUAÇÃO)E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
    E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.
    Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
    E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
    E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
    O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
    E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
    E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
    Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
    Ninguém quer saber a verdade.
    Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
    Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
    Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
    Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

    Clara Ferreira Alves – “Expresso”

    BRUTAL!!!!!!!!!!

  • Amigo ZPF
    Qualquer pessoa pode hoje em dia “googlear” o significado de muita coisa.
    Se tivermos dúvidas podemos ver o que diz esse mundo imenso que é a Internet sobre “Estado de Direito”, Democracia,moral,ética,mentira…..sinónimos,antónimos.
    Entendo que os políticos não tenham Dicionários de Língua Portuguesa em casa pois a maioria nem sabe o que isso é.
    Quando se compram Cursos Superiores ou se fazem por fax com amigos professores ou se obtêm “equivalências” com “pergaminhos” elaborados pelos mesmíssimos Reitores e Administradores das Universidades é natural que não se tenha a noção da “palavra” e tudo o que ela significa.
    Mas há uma coisa que a vida mesmo nos ensina.
    Não é necessário ter Diplomas.Nem sequer saber ler nem escrever.
    É o senso comum.
    Se me dissessem que havia um País da UE que em pleno Séc.XXI tinha um PM como Passos Coelho e uma Ministra da Justiça como Teixeira da Cruz eu blasfemaria e mal diria o nome de quem me o dissesse. (já não falo de Sócrates e os Ministros que teve pois é de enfarto).
    O que está a acontecer em Portugal é gravíssimo.Gravíssimo!
    Brincamos, rimos, ficamos com vergonha alheia das coisas que vemos e ouvimos,mas a verdade é que parando para pensar, a sério, sem ironia, ficamos com medo.
    Receio que não haja um “volta atrás”. Que nunca mais os “malandros” corruptos e ladrões de e da elite política e social se sentem no banco dos réus.Que o povo nunca mais saiba votar.Que a AR nunca mais seja a casa da Liberdade mas sim um antro de “Empresários negociadores” ao sabor de “quem dá mais”.Que a PR nunca mais tenha homens com “H” bem grande e com um bom par deles entre as pernas.Que São Bento nunca mais veja PM’s com punho de ferro,sem telhados de vidro e portanto incorruptíveis.Que a Justiça Portuguesa nunca mais veja a luz do dia pois está a passar a página mais negra da sua existência.(comparável à Inquisição em relação à Igreja Católica).Que os empresários,banqueiros,”mercados”,investidores,todos mas os honestos,nunca mais queiram pisar solo Lusitano.Que eu nunca mais possa dizer no estrangeiro que sou Português sem ver nas caras desses povos uma expressão de “condolência”.Tenho medo que Portugal nunca mais seja um País Democrático,moderno.
    O que se está a passar com as falhas do Citius é inconcebível num Estado de Direito.
    Merece duas demissões,do PM e Ministra da Justiça,um pedido de desculpa ao povo que os votou e uma promessa, a de que nunca mais voltará a acontecer.
    http://visao.sapo.pt/cinco-casos-da-injustica-que-as-falhas-do-citius-provocam=f797973

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