José Paulo Fafe

Maldita dor de corno!

CONFESSO QUE durante algum tempo fui espectador do “Eixo do Mal” – isto num tempo em que este programa da SIC-Notícias tinha como “comentadores residentes” pessoas que nos garantem sempre uma significativa dose de inteligência (e independência, diga-se de passagem…) nas suas opiniões. Refiro-me, por exemplo a José Júdice que, apesar das presenças da inefável e ziguezagueante Clara Ferreira Alves, de um insuportável rapazolas chamado Daniel Oliveira e que deu os seus primeiros passos no jornalismo sob a batuta de Artur Albarran no defunto “Século”, conferia ao programa uma consistência e qualidade que nunca mais possuiu – isto apesar de Luís Pedro Nunes que – reconheça-se – por vezes ainda consegue, com as suas opiniões, elevar o nível e o interesse do debate. Mas Júdice incomodava… Não só o poder de então, mas e principalmente os seus colegas de mesa que, por muito livro e autor que pudessem citar, por muito “tu cá e tu lá” que pudessem alardear com os protagonistas das notícias, dificilmente escondiam um complexo perante a quem deviam o contacto com alguns autores ou a hipótese de terem-se “infiltrado” em algumas tertúlias e grupos bem-pensantes cá do burgo. Mais: o Júdice pensava, que raio! Qual era a solução? Correr com o Júdice, pois então… E substitui-lo por quem? Por alguém que fosse maleável, que não fizesse sombra à “patroa”, que não se atrevesse a questionar o “casalinho” e, já agora, que à direita simulasse umas “pegas” com o Oliveira do Bloco. Quem? O Marques Lopes? O Marques quê? Aquele, redondinho e careca, tipo “queijo flamengo” que anda sempre atrás do Passos Coelho e se ufana de ser o seu ideólogo. Quem ? O sobrinho do outro, o dos parques… O Pedro Marques Lopes, o dos blogues… Venha então o rapaz! Ele que se sente e que bote faladura, que o que é preciso é a Clarinha ter compéres e que de preferência não a ofusquem! Mas alguém o conhece? O Passos Coelho, pelo menos… Pronto, ’tá bem, contratem-no! E lá se sentou a criatura, não cabendo em si de contente, alcandorado a um estatuto que é assim como uma mistura de comentador e clown, sempre piadístico, noutros tempos certamente com lugar cativo no elenco dos “Parodiantes de LIsboa”. Os meses foram passando, Sócrates definhando, Passos crescendo e Lopes emagrecendo, exactamente à proporção da crescente ambição e sonho que dificilmente disfarçava por um lugarzinho na nomenklatura laranja que se avizinhava. Mas como diz o outro… a vaidade por vezes mata. E dentro do inner circle de Passos, a precipitação com que Marques Lopes postava antecipadamente no seu e outros blogues a estratégia social-democrata, porventura para armar-se em “estratega do passismo“, levou a que, por precaução e não fosse o Diado tecê-las, a pouco e pouco o pusessem de lado, o deixassem de ouvir e lhe cortassem o acesso aos dossiers estrategicamente fundamentais. E aí é que foram elas! Preterido no staff de Passos Coelho, olhado com desconfiança, sem grande chance de vir a ser o quer que fosse num futuro governo, o anafado Lopes olhou à volta sôfrego em encontrar um papel que lhe permitisse continuar a ter assento na mesa dos sábados à noite. Como? Então o dr. Balsemão (que no fundo é quem assina o chequezinho no fim do mês…) não está furioso com o Pedro e com o Miguel? E deve certamente ter pensado: quem melhor do que eu, praticamente “pai” do tal “passismo”, para zurzir-lhes a torto e a direito?! Para bater no Relvas, no Passos, no gajo das Finanças, até na Ongoing se for preciso?! E no Braga de Macedo! O Santana Lopes vai para a Santa Casa? É dar-lhe também… É que enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. Que é como quem diz: enquanto vai criticando os seus pares de ontem, a cadeirinha é dele, a D. Clara (que ainda não conseguiu ser convidada para nada deste governo) vai dando-lhe a benção, o dr. Balsemão o cheque e o facto de dar aparecer nos ecrãs serve para que o Oliveira lhe aguente a páginazita lá no “Diário de Notícias”. O único problema é que quem conhece a estória nos seus detalhes e o percurso de Marques Lopes percebe que esta sua reviravolta é, sobretudo, fruto de uma enorme e visível “dor de corno”…

18 ComentáriosDeixe um comentário

  • O Marques Lopes representa o pior que tem os chamados “opinions makers”. Além de burro, é porventura a criatura mais oportunista que me foi dado conhecer.
    João Maria Monteiro
    Miraflores

  • Lá tinha que vir o amiguinho do Zé Júdice a defendê-lo. Você e o Júdice são amigos ha anos e isso não passa mas é de uma dor de corno mas é do dele. Tenha vergonha! Eu conheço-os aos dois… Salafrários!

  • Terminei de ler esta arenga e fiquei a pensar para com os meus botões…
    Será que ele está mesmo convicto daquilo que escreveu,ou será que a tão propalada dor ainda lhe passou totalmente,porque a manjedoura não chega para todos ?

  • É natural que o “rapaz” se sinta um pouco despeitado. Afinal, todo aquele tempo que ele levou a cascar na “fonte de todos os males”, no Sócrates, esse mesmo, e nem convidado foi para uma assessoria, para uma comissão, para um lugarzinho qualquer, para uma simples lambidela no “pote”? Não se faz José Paulo.
    Mas, dor de corno ou não, diga lá se aquilo que o “rapaz” escarrapachou hoje na sua -dele- crónica no DN bate ou não bate certinho? Vá lá, sem dor de corno.

  • Agradecendo a sugestão de S. Bagonha e embora o “cronista” em causa nunca me tenha merecido qualquer atenção, vou fazer um esforço e tentar ler a prosa em questão…

  • Que comentário tão reles, revelador de uma mente carregada de fel e inveja. Marques Lopes pode não ser um pensador ou um “Letrado”, mas Júdice também não o é, embora saiba fingir ser culto. Além do mais existem “inverdades” no seu comentário, Marques Lopes nunca foi um acólito de Passos Coelho, e por agora estar a criticar o actual Governo não foi dele um traidor ou como o comentário do Sr. José Paulo Fafe quer fazer crer, senão que dizer de Pacheco Pereira, ambas as personalidades demonstram independência de pensamento e coluna vertical.
    A única dor de corno deve ser a do Sr. Fafe ao observar pessoas que não são do seu “meio social” a terem visibilidade política e cultural. Dor de corno esta que é sinónimo de falta de cultura democrática, embora não seja de surpreender vinda de um marialva e – suspeito eu – de um descendente de miguelistas.

  • Agradecendo a atenção que o sr. Miguel Dias me dedica no comentário que tive a oportunidade de postar, não queria deixar de lembrar-lhe que, aquando da primeira candidatura de Pedro Passos Coelhos à liderança do PSD, este anunciou-a na sede nacional da Rua de S. Caetano à Lapa acompanhado de uma única pessoa… Saberá certamente a quem me refiro! Mais: a criatura em questão foi até há bem poucos meses fervoroso e por vezes até insuportável entusiasta de Passos Coelho, “estatuto” que abandonou porventura por ter encontrado outras companhias que tornava naturalmente incompatível essa sua “devoção”.
    Quanto ao resto do seu comentário – desculpe lá, ó sr. Dias! – mas só dá para rir…
    Bem haja pela sua fidalguia!
    ZPF

  • “(…)isto apesar de Luís Pedro Nunes que – reconheça-se – por vezes ainda consegue, com as suas opiniões, elevar o nível e o interesse do debate.”

    Oh, por favor… A sério? O LPN a contribuir para a “elevação” seja do que for, só pode ser piada.

    Se é piada involuntária ou não, é coisa que já me ultrapassa…

    “Luís Pedro Nunes” e “elevar” na mesma frase é assim qualquer coisa que, de tão patética, provoca francas gargalhadas a quem tenha dois dedos de testa.

    Ahahahahahahahahahahahahahahaha…

    Ahaha…

    Ah.

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