José Paulo Fafe

Mais uma “pachecada”!

PRESUROSA, INFORMA-ME hoje a D. Fernanda Câncio, desde há uns tempos (e vá lá saber-se porque razão…)alcandorada a colunista do “Diário de Notícias”, que o inefável dr. Pacheco Pereira, desde que o seu partido indicou o candidato à Câmara de Lisboa, pondera transferir o seu recenseamento eleitoral para Santarém de forma a não ser obrigado a votar em Pedro Santana Lopes.
Esse alvitre da D. Câncio suscitou-me em mim duas ou três reflexões, um par em jeito de memória, a terceira mais em forma de sugestão.
A primeira delas prende-se com o facto indesmentível de ainda não há muito tempo (finais dos anos setenta) e já não seria certamente o dr. Pacheco propriamente um miúdo irreflectido, o então ortodoxo marxista-leninista-maoista (ou enverhoxista?) era um acérrimo opositor do voto, então classificado como “instrumento” ou coisa do género das “classes burguesas dominantes”…
A segunda reflexão é um lamento muito pessoal, até por conhecer de perto e muito bem um dos principais responsáveis pelo dr. Pacheco se render aos encantos da então até aí “malfadada democracia burguesa” e a quem não resisto, sempre que falamos na criatura, a perguntar-lhe com o carinho e respeito que o referido responsável me merece: “E não estás arrependido?”…
A terceira é mesmo uma sugestão: não seria possível alterar a lei eleitoral, de forma a um candidato poder rejeitar o voto de um eleitor. Por exemplo e neste caso concreto, criar as condições para que Pedro Santana Lopes pudesse formalizar (em “Diário da República” e tudo, se fosse preciso…) a rejeição do voto do sr. Pacheco. Uma coisa assim no estilo: “Eu abaixo-assinado, Pedro Miguel Santana Lopes venho por este meio declarar que não aceito o voto do cidadão José Pacheco Pereira nas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa a relaizarem-se no próximo dia tantos do tal(…)”.
Vai uma aposta que uma coisa deste tipo, ainda ia-lhe render uma boa mão-cheia de votos?!

2 ComentáriosDeixe um comentário

  • Foi interessante ver a Quadratura, e foi pena não terem reproduzido as palavras de António Costa, pois demonstram que no fundo tem tomou consciência que pode perder as eleições. Com a ajuda de Socrates que depressa declarou que o PS é popular e moderado.
    Na realidade Socrates tirou o tapete a Costa, infelizmente é pena que a Câncio não possa se debruçar sobre o assunto, destes dois claro está.

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