José Paulo Fafe

José Ferreira Fernandes

RARO É o dia em que falho aqueles mil e poucos caracteres com que José Ferreira Fernandes nos brinda na última página de um “Diário de Notícias” cada vez mais empobrecido e que, muito (para não dizer apenas…) graças a ele, ainda faz parte da minha leitura diária. E de facto, sabe bem ler quem escreve com graça, extraordinária capacidade de síntese e fundamentalmente inteligência. O Zé Ferreira Fernandes “agarra” nos temas como poucos, relacionas-os com um talento e argúcia notáveis e leva-nos a pensar, coisa difícil para a grande maioria de quem se crê colunista ou coisa do género. Com a devida vénia, aqui fica o seu texto de hoje: “O bom com a crise é espevitar-nos. A quem bastava estender o braço para colher uma banana nunca precisou de se pôr erecto para, nos desertos do Corno de África, se safar. Os chimpanzés são filhos da abundância e o homem, da penúria. António Barreto disse ontem que Portugal pode deixar de existir. É, pode (isto sou eu a traduzir) ficar como um produto branco no Pingo Doce. Mas os tempos estão felizmente a nosso favor: não são eles maus, péssimos, críticos? Nada melhor. Vejam gente a sair da modorra de décadas, olhem o exemplo dos socialistas franceses e esqueçam que é de socialistas e franceses porque é para todos os europeus. Todos os europeus, da esquerda à direita, queixavam-se da indiferença dos cidadãos em relação aos partidos. Há anos que se fala de primárias – abrir os cidadãos às decisões partidárias, à escolha dos candidatos do partido. É exemplo americano, de democratas e republicanos, gabado por todos mas durante as vacas gordas não se foi por aí. Neste fim-de-semana dois milhões de votos directos (no último congresso do PS francês foram 130 mil de votos delegados) começaram a escolher o socialista presidenciável. Para votar bastava ser eleitor francês, assinar uma vaga declaração democrática e pagar um euro. Este euro até resolveu o horror dos noticiários modernos: os congressos são deficitários e as primárias deram lucro. Foi um pequeno passo duma eleição mas um salto na democracia.“. Chapeau!

3 ComentáriosDeixe um comentário

  • O FF é certamente uma das pessoas que melhor escreve em Portugal. estou de acordo consigo quando ressalta a inteligência que ele coloca na sua escrita. E de facto começa a ser mal-empregue num “DN” que hoje em dia privilegia a imbecilidade e a idiotice. Dá gosto ler o FF!

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