José Paulo Fafe

Gracias, Felipe!

HÁ MOMENTOS em que os países (neste caso, os partidos) precisam de deitar mão ao passado e às referências que foram fundamentais em determinados momentos e cujo “peso” histórico e político é suficientemente consensual e unânime para juntar à sua volta todos e mais um. Os socialistas espanhóis, que ainda não há muito tempo se viram afastados do poder e passaram por um processo sucessório interno algo “fracturante”, não viverão hoje propriamente os seus melhores dias, com uma Espanha mergulhada numa  profunda crise onde lhes cabem algumas significativas responsabilidades e com alguma dificuldade em encontrarem um “rumo”. Talvez por isso e aproveitando o trigésimo aniversário da posse de Felipe González como presidente do Governo, o PSOE resolveu no passado dia 2 de Dezembro levar a cabo uma homenagem que juntou à volta do seu líder histórico as principais figuras do partido e algumas (tantas…) delas há muito arredadas da cena política. Um evento carregado de emotividade, de uma simplicidade cativante e que serviu, mais do que nada, para unir um partido algo fragilizado e “carregar baterias” e onde um Felipe, surpreendentemente cada vez mais rejuvenescido, mostrou o que é ser, de facto, uma “referência”.
A terminar, não resisto a deixar uma pergunta: será que em Portugal algum partido poderia levar a cabo um evento como este? Ou por outras palavras, algum dos nossos partidos possuirá uma referência tão consensual quanto González o é relativamente ao PSOE?

1 comentárioDeixe um comentário

  • Amigo ZPF
    González foi dos maiores estadistas Espanhóis e toda a direita o reconhece.
    Vivi em Espanha todos aqueles anos em que o Presidente do Governo esteve no poder e assisti à queda provocada pelos escândalos, um trás outro,que gente ligada a ele provocou.
    Os “hermanastos” Guerra ao leme. Eram os “Sócrates” e os “Varas” lá do sítio e acabaram por minar o PSOE e o mesmíssimo líder.
    Como bom Andaluz que era tentou modernizar a zona mais pobre do reino, a sua terra e consegui.
    Uma das coisas foi ligar com o AVE onde eu trabalhei, Madrid a Sevilha, parando em Córdoba.
    Mais de 500 km em 2h em alta velocidade.
    Toda a direita o criticou e até diziam que quando acabasse a Expo 92 em Sevilha, o comboio ficaria às moscas.
    Resultado, nos anos seguintes o AVE foi o único comboio de toda a RENFE a dar lucro!!!
    Em poucos anos toda a Espanha ficou ligada em alta velocidade e hoje está ligada a Paris com a inauguração do último troço.
    Nós, com a política do deita abaixo ficámos com uma porcaria de Lusitania Express que demora 11h a chegar a Madrid desde Lisboa, faz os mesmos Km que Madrid Sevilha se fazem em 2.
    Terceiro mundo? Nem 5º
    Portugal mesquinho e sem visão futura alguma e a TAP com medo de perder todos os seus passageiros, como a BA e a Air France perderam com o Eurostar entre Londres/Paris onde eu também trabalhei, acabaram com uma das únicas boas ideias que o tipo da Covilhã teve desde que nasceu.
    Se Espanha é o que é hoje a Filipe González o deve.

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