José Paulo Fafe

Ferro Rodrigues e a suspeição sobre as Necessidades

FERRO

ONTEM, DURANTE o debate parlamentar que o colocou frente a frente com o primeiro-ministro, o líder parlamentar socialista Eduardo Ferro Rodrigues cometeu um deslize que, não fosse o “caso Dias Loureiro”, os patéticos SMS’s que parecem dominar a cena política nacional e o lapsus linguae de Pedro Passos Coelho quando se quis referir a Paulo Portas, teria merecido certamente mais atenção dos media e dos observadores políticos. Ao questionar  chefe do governo sobre o movimento diplomático que está neste momento em curso e que deverá atingir cerca de duas dezenas de embaixadas portuguesas, Ferro Rodrigues cometeu, na mesma pergunta, três erros – e todos eles de palmatória, como soe dizer-se. Errou ao afirmar que o movimento diplomático em período pré-eleitoral é algo inusitado – afinal, segundo os números que passos Coelho apresentou em seguida e referentes aos últimos 15 anos, não é de todo assim; errou quando insinuou que as mudanças em alguns postos previstas para os próximos meses tinham sido promovidas sem o conhecimento do Partido Socialista – parece que, a acreditar nas palavras do primeiro-ministro (que não foram desmentidas), António Costa está ao tanto da situação; e finalmente, errou quando levantou uma suspeição sobre os diplomatas portugueses, afirmando que o verdadeiro propósito do movimento diplomático seria o de colocar em postos estratégicos embaixadores da confiança política da actual maioria. E aqui errou, não só ao levantar a suspeição propriamente dita, mas também quando esqueceu que ele próprio, entre os anos 2005 e 2011, ou seja durante o “consulado” de José Sócrates, ocupou funções diplomáticas e de representação do Estado português em Paris, junto da OCDE…

É caso para dizer, com o “outro”, que  “há dias em que mais vale não sair de casa“…

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