José Paulo Fafe

Explicação a um amigo…

TENHO UM bom e querido amigo que ainda hoje atribuia a minha (recente) “pouca produtividade” bloguística a motivos que, embora nobres e de gosto mais do que apurado, não correspondem de todo à realidade. O que se passa é que, desde há uns dias a esta parte, estou de boca aberta e praticamente à beira de uma apoplexia, tal a avalanche de notícias que, não fossem elas publicadas em jornais aparentemente de referência, pensaria tratarem-se de algum guião perdido das “Producções Fictícias” ou coisa do género. De tal forma, que mal consigo abrir o computador e postar o quer que seja… Estou a recordar-me, por exemplo, do que li há dias acerca da justificação que um alto funcionário da autarquia lisboeta prestava sobre o facto de lhe ter sido atribuída uma casa onde reside o seu filho (“Então e se eu me divorciar de novo, para onde é que eu vou viver?”); ou da “vitimização” com que o ex-avençado da C.M.L., o sr. Bastos, numa carta ao “Expresso”, tenta “atirar-nos areias para os olhos” a propósito da casa que recebeu da edilidade; ou do facto do responsável pelo pelouro das Finanças da Câmara Municipal de Lisboa ser simultaneamente presidente do Conselho de Administração de uma holding que presta múltiplos e vários serviços à autarquia, sem que ninguém fale (por exemplo…) em perda de mandato; do ar despreocupado com que a vereadora Ana Sara Brito encara o facto de ter ocupado uma outra casa durante duas décadas; do dr. João Soares ser unicamente testemunha nesse processo que atravessou mandatos e mandatos e de que ele foi “recordista” no que diz respeito a atribuição de casas; ou, noutro âmbito, o prof. Marcelo já “dar bitaites” sobre as listas de candidatos ao Parlamento Europeu do Partido Socialista; ou o facto da notícia que o “Sol” publicou este fim-de-semana sobre a investigação que as autoridades inglesas estão a realizar ao envolvimento de algumas personalidades da nossa política no chamado e afinal existente “caso Freeport” não ter tido qualquer repercusão. E vamos ficar por aqui, que já começo a sentir-me zonzo e assaltado por uma mistura de náuseas e frémitos de que quero rapidamente fugir!Como diz esse meu amigo, está tudo (de facto…) a ouvir vozes. Mais: o que eu acho mesmo é que estão a fazer de todos nós parvos…

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