José Paulo Fafe

Eurico e “o padre moscobita”



A PROPÓSITO da morte de Eurico de Melo e trocando mails com o meu amigo Jorge Lemos Peixoto, este contou-me uma  “velha” estória verdadeiramente deliciosa que tem o desaparecido “vice-rei do Norte” como protagonista e ocorrida durante um concerto de Júlio Iglesias no Casino Estoril. Tão delicioso é o episódio que não resisto aqui a contá-lo – obviamente com a devida anuência e autorização de quem me relatou. No jantar que antecedeu o espectáculo do cantor espanhol, Jorge Peixoto partilhou, juntamente com Joaquim Letria, a mesa com Eurico de Melo e respectiva senhora. Na mesma mesa, sentaram-se também dois actores brasileiros, então muito em voga em Portugal: Gracindo Júnior e Claudio Cavalcanti (na foto). Este último que interpretava na telenovela “Roque Santeiro” o papel do “padre Albano”, o sacerdote progressista, defensor dos “Sem Terra” e verdadeiro ódio de estimação do tradicional e conservador “padre Hipólito”, o velho  aliado da oligarquia tradicional a que o genial Paulo Gracindo dava corpo – lembram-se? Pois bem… No final do jantar e no percurso até ao “Salão Preto e Prata”, Eurico de Melo não se conteve e abeirando-se de Letria (que durante o jantar tinha animadamente conversado com os dois actores), fez um pedido com aquela sua impagável e característica pronúncia: “O sinhore Letria bai-me desculpar, mas a minha mulher fazia muita questong  que o sinhore Letria nos apresentasse ali ao padre moscobita“. Extraordinário!


P.S. – Aliás, a propósito da morte de Eurico de Melo e das suas estórias, recomendo ler um episódio que o embaixador Seixas da Costa relata no blogue e que é, também, uma verdadeira delícia: http://duas-ou-tres.blogspot.com.br/2012/08/eurico-de-melo-1925-2012.html

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