José Paulo Fafe

Em memória de Jorge Alves da Silva

COM QUINZE dias de atraso soube do desaparecimento de Jorge Alves da Silva. Quem anda há uns anos nestas coisas da política e de tudo o que a envolve, sabe bem quem foi este homem, tão difícil quanto criativo e tão genial quanto inconstante. Não tenho dúvida em afirmar que o Jorge foi porventura um dos mais talentosos homens da comunicação política no nosso País e não vai ser o facto dele ser às vezes alguém com quem não era fácil lidar que me irá fazer dizer o contrário. Algumas vezes estivemos lado a lado em certas “guerras” políticas, outras vezes optámos por “trincheiras” diferentes. Fui seu amigo, tivemos também as nossas zangas e amuos, mas sempre soube respeitar e admirar um talento que ele inegavelmente possuía e lhe conferia uma diferença muitas vezes pouco ou mal aceite entre a classe política e todos quanto andamos nestas andanças.
A última vez que estive com o Jorge foi há dois ou três anos. Falámos no bar do Ritz durante duas ou três horas. Mais tarde, ele ligou-me uma ou duas vezes para marcar um daqueles almoços que, por uma razão ou outra, nunca têm lugar. Tenho pena. Mas também – verdade seja dita – a imagem que prefiro guardar do Jorge Alves da Silva é a imagem do Jorge empenhado de corpo e alma na “gloriosa” campanha do PSD de 1991 e à qual o seu “dedo” em termos televisivos conferiu uma diferença e uma qualidade que poucas vezes se viu em Portugal.  É esse o Jorge de que eu sempre me irei lembrar, é esse o Jorge com quem eu aprendi alguma coisa.  

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