José Paulo Fafe

Ele toma-nos por “parvos”…

SÓ ME cruzei com José Sócrates por duas ocasiões. A primeira, em 2002, num autocarro, numa berma de uma estrada perto de Castelo Branco no decurso da campanha eleitoral para as legislativas desse ano e a segunda, duas ou três semanas depois, em Lisboa, no restaurante “Mezzaluna” e onde educadamente baixámos cordialmente as nossas cabeças. Nunca mais o vi, tirando três ou quatro vezes ao longe e de umas quantas (demais)dezenas na televisão.
Confesso que o estilo, a pose e a visível artificialidade me suscita alguma irritabilidade, mas independentemente desses sentimentos, de facto começo a dar inteira razão aqueles que defendem que ele nos toma, a todos, por “parvos”. É que de facto o descaramento deveria ter alguns limites… Já não vou falar do que prometeu na campanha de 2005 e no que fez a seguir enquanto primeiro-ministro – e estou a lembrar-me das SCUT’s, do IVA, do desemprego, etc., etc.; tão-pouco vou recordar o “escândalo” da sua licenciatura e da sua desfaçatez com que, após um comprometedor silêncio, surgiu a tentar justificar o que é objectivamente injustificável; e já nem quero recordar a form manhosa com que, apoiado num pouco escrupuloso governador do Banco Portugal, manipulou números e “déficits”… Não, agora quero só recordar o que José Sócrates afirmou na quinta-feira passada, quando garantiu, não conhecer qualquer promotor do empreendimento “Freeport” e o que disse, dois dias depois e após o seu tio ter revelado as diligências que fez junto do sobrinho enquanto ministro do Ambiente, ao reconhecer ter participado numa reunião com “vários técnicos e dirigentes do Ministério do Ambiente, da Câmara de Alcochete e promotores do Freeport“. De facto, ele deve pensar que nós somos mesmmo “parvos”…

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