José Paulo Fafe

E depois queixem-se…


ATÉ HÁ uns minutos atrás não fazia a mínima ideia sobre o que era um tal Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo que, foi-me dado agora a saber,  graças a uma rápida pesquisa googliana, tem por missão “preconizar a difusão dos valores históricos e culturais que unem Brasil e Portugal, representando, unindo e engrandecendo nossa comunidade luso-brasileira e seu valioso movimento associativo(..). Perguntarão a que propósito vem tudo isto… Eu passo a  explicar: é que hoje, ao abrir o caderno “Ilustrada” do jornal “Folha de São Paulo”, deparei, no canto superior esquerdo da sua página 8, com uma notícia que que revelava  estar o programa de televisão “CQC” na iminência de ser processado por “fazer piada de português“, que é como quem diz, contar anedotas sobre portugueses. Ainda pensei que tivesse sido um pressuroso, diligente e voluntarioso membro do sempre mui activo Ministério Público brasileiro a apresentar queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, mas para minha surpresa e logo no segundo parágrafo da notícia percebi que não – a queixa tinha sido feita, nada mais nada menos, que por esse tal Conselho da Comunidade Luso-Brasileira, o CCLBESP. E então porque é que os dirigentes de tão distinto órgão se sentiram ofendidos? Segundo o jornal, “por terem recebido muitas reclamações de portugueses que vivem no Brasil e em Portugal” devido a umas graçolas e piadas que um dos integrantes do programa televisivo fez a propósito da participação portuguesa no Euro-2012! Lê-se e não se acredita. Pensa-se que a atitude do tal Conselha é  – essa sim – uma anedota. E depois ainda se queixam estes senhores, tão ciosos de difundir os valores históricos e culturais que unem os dois países (é isso, não é?) que os brasileiros “fazem piada de português”…
PS – Se os dirigentes do CCLBESP me permitem, atrevo-me a dar-lhes uma sugestão. A próxima vez que um brasileiro lhes conte uma “piada de português” perguntem-lhe se ele sabe a razão porque existem tantas “piada de português”. E perante a óbvia negativa da resposta do vosso interlocutor, expliquem-lhes: “É para brasileiro entender!“. É fácil, tem graça, não ofende e assim já não é preciso ir fazer queixinhas à polícia, pois não?

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