José Paulo Fafe

E agora, José?


DE MANSINHO, como quem não quer a coisa, deu à costa… A SIC e o “Expresso” deram-lhe o palco e célere não hesitou  a surgir em cena e dando-se ares professorais discorreu sobre a situação portuguesa, como nada se tivesse passado entre ele e os portugueses e como se não tivesse nada a ver com o que (e como) se vive em Portugal. No mínimo extraordinário… Não sei o que José Manuel Durão Barroso pensa fazer da vidinha, agora que terminou os dois mandatos como presidente da Comissão Europeia e quando (não sei se deram por isso…) o antigo primeiro ministro norueguês Jens Stoltenberg foi eleito para a secretaria-geral da NATO. Talvez rezar a todos os santinhos para que, à semelhança de  Felipe González ou de Bill Clinton,  um Carlos Slim da vida o recrute como “avençado” para lhe abrir algumas portas, nunca se sabe – mas até para isso, as agendas telefónicas têm um prazo de validade e com a rápida mutação política-eleitoral que vive a Europa, Durão corre o risco de ver a sua rapidamente desactualizada e mais apropriada para auxiliá-lo a lembrar os factos para escrever as suas memórias que para qualquer outra coisa… Será que  lhe passa pela cabeça substituir Bank Ki-moon à frente das Nações Unidas, numa altura que parece ser unânime que o cargo “pertence” agora a um europeu?! Cruzes, credo, canhoto! Candidato à sucessão de Cavaco Silva, isso ele já percebeu que “não vai lá” – basicamente porque, mesmo dez anos depois, o país não lhe perdoou e ele é, mais do que qualquer outro, a “cara” do rigor da austeridade a que este governo sujeitou o País. Resta-lhe o quê? Tentar recuperar umas mordomias da Universidade Lusíada, outras dos amigos Espírito Santo, encontrar uma ou outra universidade norte-americana onde dar umas aulas para poder ufanar-se de tal e, já agora, fazer umas “piscinas” entre Lisboa e Fátima, suplicando que os seus compatriotas esqueçam rapidamente a forma penosa como, lampeiro e furtivo, se pirou para Bruxelas e como, durante os dez anos que por lá esteve, se comportou. Ah! E já agora, podia aproveitar para estudar (ou melhor, relembrar…) alguns factos da nossa história recente: é que, contrariamente ao que afirmou na entrevista deste fim-de-semana, já tivemos um chefe de Estado apoiado pelas principais forças políticas – aliás, dois: um, em 1976, chamado  António Ramalho Eanes, tendoa sua eleição sido apoiada por PS, PSD e CDS (e também pelo MRPP, já agora…); e o outro em 1991, nada mais nada menos que Mário Soares, apoiado pelo PS e… pelo PSD. 

4 ComentáriosDeixe um comentário

  • V.Exª tem mesmo pó ao Homem! Encontrará assim tantos com a bagagem e dinamismo por cá?
    Quando uma pessoa diz que precisa de respirar é porque não quer prisões e ser Presidente é uma grande massada.Veja as coisas pelo lado positivo.A isenção é um atributo de grandeza.
    Cumps.,

  • O Dr. Barroso não tem vergonha na cara. Mas também não é de hoje. Desde sempre o que o moveu na vida e na política é a ambição desmedida e a sede de vingança que o rancor, seja ele pessoal ou político, domina.
    Mas a História vai ser implacável com ele, nem em nota de rodapé vai ficar, de tão medíocre que foi apesar dos altos cargos que desempenhou tanto em Portugal como na esfera europeia.
    Paz à sua alma!

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