José Paulo Fafe

Durão Barroso: algumas perguntas

QUEM NÃO o conheça que o compre… Ao anunciar a sete ventos que iria oferecer o valor prémio “Carlos V” ao Liceu Camões e à associação “Cais” e a poucos meses de abandonar a presidência da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso deu o “sinal” às suas tropas (será que ainda as tem?) que está disponível para protagonizar uma candidatura presidencial daqui a dois anos – isto tão certo como dois e dois serem quatro. 
O que, convenhamos, é estranho para quem, como Durão Barroso, sempre foi tão cauteloso e soube, como poucos, interpretar os sinais com uma perspicácia e antecipação notáveis. Será que estes dez anos em Bruxelas, naqueles cinzentos e sensaborões bastidores europeus, contribuíram para que Barroso perdesse esse seu tão  certeiro instinto e essa noção da realidade? Será que Barroso não tem noção que os portugueses o associam fundamentalmente a dois factores – à sua “fuga” para Bruxelas e à forma como deixou a governação “armadilhada” a quem o sucedeu e a ser a face visível de uma “troika” que é, mal ou bem, para a esmagadora maioria dos portugueses, a causa de todos os males que o País atravessa? Será que Barroso não percebe que, mesmo dentro do seu próprio partido, não recolhe os apoios suficientes para ser mais que uma terceira ou quarta escolha como candidato oficial? Será que Barroso não entende que qualquer candidato à esquerda o “esmagaria” numa primeira volta, mesmo sendo ele o único candidato na área do centro-direita? Será que Barroso não constatou ainda que o País não lhe perdoou? Será que Barroso perdeu definitivamente a noção da realidade? Ou será que estamos todos enganados e esta oferta do valor pecuniário do prémio não teve qualquer outra intenção? ‘Tá bem abelha…

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