José Paulo Fafe

Duas ou três notas

SÓ UM masoquista poderá alguma vez mostrar simpatia pelas recentes medidas anunciadas pelo governo, isto a começar pelo próprio Pedro Passos Coelho. Independentemente de tudo, acho que existiu ali um grande problema de comunicação, tanto por culpa de quem protagonizou e anunciou as ditas medidas como por parte de quem tem a obrigação de “intermediar” junto da opinião púbica – e estou a falar, sim, da esmagadora maioria dos nossos jornalistas, céleres em quererem “fazer opinião”, sem se preocuparem mínima e primeiramente em informar.
Só mais duas ou três notas: a primeira diz respeito à sanha que tomou conta de uma certa trupe socialista e que, esquecida do que os governos de José Sócrates por aí fizeram (a acabar na assinatura do célebre memorando com a troika, lembram-se?) destila ódio em tudo o que é “rede social” e tenta “cavalgar” a natural onda de contestação que ali se faz sentir ; a outra para o próprio PS, cuja direcção é incapaz de apresentar uma alternativa às medidas apresentadas por este governo; e uma última para achar no mínimo curioso como é que certa esquerda parece agora depositar tanta esperança naquele senhor que é Presidente da República… As voltas que o mundo dá, n’é?!

PS – Já me esquecia de Manuela Ferreira Leite e das suas declarações.  Só quem não a conheça minimamente e não  tenha memória (e basta recente…) é que pode dissociar as críticas da ex-ministra de Cavaco da péssima relação política que a senhora sempre manteve com Passos Coelho enquanto foi líder do PSD, a ponto de afastá-lo da lista de deputados. Pois é…

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  • Não deixa de ser verdade, o que dizes principalmente no que respeita à (ir)responsabilidade dos socialistas. A prova provada que a maioria dos seus dirigentes só se rege pelo mais descarado oportunismo são as reacções em relação ao mínimo “espirro” que qualquer membro do governo dê, a reconhecida imparcialidade dos “camaradas” e dos seus capangas encartados na comunicação dita social é logo transformado numa tuberculose galopante. O descaramento é tal e a vontade de cavalgar a onda é tão desavergonhada que ao pé da maioria deles, Ana Gomes quase passa a ser um exemplo de seriedade intelectual. O pior é que este dado não é novo e o filme que estamos a ver já cheira a “reprise” mais que requentada e nem os “inesperados” aliados de ocasião leia-se; a “inocente” manelinha e o seu cão piloto de Boliqueime, ou mesmo o personagem barbudo com ar de Marx da Marmeleira que zurze todas as semanas, no triste homem de Massamá numa quadratura circular.Nada disto é novo e nem sequer as moscas mudam.Mas este facto e até pela circunstância de não ser novidade não obvia as enormes responsabilidades da equipa da triste personagem dos arredores do Cacém. Passos Coelho é errático, confuso e contraditório, numa altura que era necessário ter uma estratégia firme (provavelmente muito mais profunda do que esta austeridade de medidas avulsas), ser lúcido e coerente. Para mal dos nossos pecados, o Pedro na versão soft é ridículo (ainda gozavam com o menino guerreiro – vejam onde chegamos) e o seu alter ego Passos Coelho espalha mais alarme que uma bicha de rabiar numa sala de crianças. O ministro Relvas revelou-se um engulho mais a sua alegada ânsia em ser senhor doutor e hoje está transformado numa não existência.Portas de quem se podia esperar alguma coisa tenta passar sequinho entre os pingos da chuva e não tarda nada vai roer os calcanhares a quem o sentou à mesa do banquete. O filme não é novo mas estes protagonistas conseguiam transformar uma comédia romantica num filme de terror. Ils sont fous ces romains, diria Astérix e o velho Júlio repetiria Alea jacta est, pois é os dados estão lançados e daqui até ao fim vai ser uma agonia triste e prolongada de um moribundo já em estretor. Foi pena, pois nem a troika nos salvou. Talvez só mesmo uma comissão liquidatária, ou um gestor de falências.

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