José Paulo Fafe

Do que ele se safou…

O DEPUTADO José Lello (com dois “éles) é daquelas pessoas a quem não se lhe conhece uma ideia, a não ser umas graçolas que o ajudaram a fazer carreira na política. Tem a mania que é engraçado, crê-se inteligente e aposto que tem-se, a si próprio, em muito boa conta, tendo mesmo chegado a ser secretário de Estado e até ministro nos governos de Guterres – o que, digamos, não é assim propriamente um grande cartão de visita. Dizem que tem uma secreta esperança: a de ser (pasme-se!) ministro dos Negócios Estrangeiros ou da Defesa… Mas enquanto não chega lá (sim, porque neste País tudo é possível, até o inefável Lello sentar-se no gabinete que já pertenceu a figuras como Franco Nogueira, Mário Soares, Melo Antunes, Jaime Gama, entre outros…), lá vai penando pela Assembleia da República, onde integra mesmo o Conselho de Administração da dita. Do seu trabalho como deputado, para além das viagens a propósito da NATO, pouco se lhe conhece. E no que diz respeito à sua actividade política, esta tem-se resumido a umas “bojardas” que, de quando em vez e algumas embaraçando mesmo quem quer venerandamente servir, lança contra o seu “inimigo de estimação” Manuel Alegre. Mas certamente farto de andar arredado dos holofotes e da riblata, eis que Lello (com dois “éles”) resolveu liderar a revolta de alguns dos seus pares quanto à “violação de privacidade” a que são sujeitos no hemiciclo, mais concretamente à mais do que admissível curiosidade de alguns repórteres fotográficos em registar para a posterioridade a penosa e extenuante tarefa dos nossos deputados que, em plenos trabalhos parlamentares e agarrados aos computadores portáteis que lhe são distribuídos pela Parlamento, entretém-se em actualizar o seu “facebook”, escrever à namorada, visitar sites pouco recomendáveis ou ver emissões de televisão, entre outras actividades lúdicas: “Isto não é a aldeia dos macacos!“, exclamou Lello (com dois “éles”) durante uma recente intervenção no plenário. Aqui entre nós, a sorte dele foi ter afirmado e perguntado…


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