José Paulo Fafe

“Direitos reservados”?!


CONTARAM-ME HOJE e confesso que tardei em acreditar… Uma senhora que já tem mais do que idade para ter juízo e que certamente deve ter-se, a ela mesmo, em excelente conta arrogou-se o direito de ser ela – apenas e só ela! – a escrever sobre uma personagem histórica do século XVIII  e de quem parece ser vagamente aparentada. A personagem histórica em causa chamava-se Leonor de Almeida,  foi a quarta Marquesa da Alorna e “marcou” (de que forma!) a sua época; a ciosa e vetusta “proprietária” de uns inexistentes direitos sobre a memória e percurso da Marquesa chama-se Maria Teresa Horta, é escritora, foi uma das célebres “Três Marias” e após o 25 de Abril liderou umas folclóricas e inconsequentes manifestações no alto do Parque Eduardo VII e onde, a par de surrealistas reivindicações feministas e ameaças de “greve ao sexo”, queimavam-se soutiens  entre outras “formas de luta”. 
Adiante… Vá lá saber-se porque razão, a D. Maria Teresa Horta demorou onze, repito, onze anos a escrever o quer que fosse sobre a Marquesa, tendo recente (e finalmente!) publicado “As Luzes de Leonor”. Enquanto isso, uma outra escritora Maria João Lopo de Carvalho de seu nome – após alguns anos de exaustiva e entusiasmada investigação,  lançou, também ela, um romance histórico sobre a Marquesa da Alorna. O que ela foi fazer… Escrever sobre a Marquesa de Alorna?! Quem ?! A Maria João Lopo de Carvalho?! Mas com que direito?! Como se atreveu?! Que despautério! Que atrevimento! Que falta de respeito! Surpreendidos? Pois é, mas foi assim que a pseudo-nata de uma certa intelectualidade de trazer por casa, mas que domina e controla o que por aí se escreve  reagiu ao facto de Maria João Lopo de Carvalho ter dedicado alguns anos da sua vida a investigar e a escrever sobre a Marquesa da Alorna. Para essa gentinha, isso foi um verdadeiro crime de lesa-majestade, porque tarefa desse calibre só poderia caber à D. Maria Teresa Horta – vá lá saber-se porquê e com que direito. E vai daí, toca a boicotar, censurar, no fundo impedir que Maria João Lopo de Carvalho apareça – ela e o seu livro. Sim porque para eles o “tema Marquesa da Alorna” é tema “reservado” para a D. Maria Teresa. Porquê? Porque sim… Acham normal? Eu não, mas pelos vistos há quem ache… Vão mas é dar banho ao cão!


5 ComentáriosDeixe um comentário

  • Amigo ZPF
    Tudo é possível num País em que depois de TUDO o que se sabe da/na Madeira, o partido no poder e seu Líder ganhem as eleições e com maioria absoluta uma vez mais.
    Faz-me lembrar quando já estávamos no Continente, incontinentes, as loucas de turno e o “movimento lenço preto” ainda votaram e mais uma vez. no tipo que nos arruinou para décadas, o líder do PS na época, o Senhor José Sousa.
    Há os que na TVI querem fazer ver que o PSD lá na Ilha desceu 16%….e? Não têm maioria na mesma?
    Todos sabemos que o Dr. Alberto João vai ter que engolir muitos sapos, feios, castanhos e gordos, mas quem vai sofrer e muito é o povo madeirense que votando-o ou não, vai andar na penúria nos próximos anos.
    Parabéns ao Partido de Coelho pelos seus 3 deputados e ao CDS que ultrapassou todas as expectativas. Bloco e CDU parece que desapareceram. Que chatice.
    Maria João Lopo de Carvalho é uma mulher inteligente e trabalhadora, com classe. Sei o que digo porque conheço. Certamente ultrapassará esse problemazito de lobby mal cheiroso que tresanda a genética. Bush também descende do nosso primeiro Rei, Afonso Henriques e vejam como deixou o mundo em 8 anos de “busharia”….
    Desejo as maiores felicidades à Maria João para o livro e…deixem falar mal…O que importa É QUE FALEM!!!

  • Estimado Zé Paulo
    Olá Maria João ( saudades )
    Tolerância é algo que não se conhece em Portugal desde 1143. Somos assim. Não é defeito é feitio mesmo.
    No entanto há ainda alguma gente, e essa é a que realmente nos interessa, que sabem reconhecer o trabalho das outras.
    Não duvides que vamos reconhecer este teu, tão interessante como certamente exaustivo e que afinal o esforço será recompensado.
    Como li no blog do PSL, este Natal será uma boa opção.
    Desejo muitas felicidades para o livro. Toma lá um beijo enorme de saudades.

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