José Paulo Fafe

Copa 2014: e a "culpa" é do português…


POIS É, não tem jeito… Os brasileiros bem podem agradecer a um português(!) o facto dos portões da Arena Corintians irem-se abrir exactamente daqui a uma semana para o jogo inaugural do Campeonato do Mundo de futebol entre o Brasil e a Croácia. Conhecido como “o xerife da Copa”, Luís Fernandes, secretário-executivo (“número dois”) do Ministério do Esporte e que os amigos tratam por “Luís Português” foi o responsável, desde há precisamente um ano, por fazer a “ponte” entre o governo de Dilma Rousseff e a FIFA de Joseph Blatter e Jerôme Valcke, junto de quem conseguiu construir uma imagem de competência e seriedade que fizeram dele, além de interlocutor privilegiado, uma espécie de “garante” do empenhamento das autoridades brasileiras no sucesso da controversa Copa.
Cientista político, nascido no Texas e filho de pais portugueses, Luís Fernandes foi viver para Portugal com apenas 10 meses, de onde ainda jovem partiu para o Brasil. Mantendo sempre uma estreita ligação com Portugal, que visita com frequência, Fernandes graduou-se em Relações Internacionais em Georgetown, doutorou-se no Rio de Janeiro e desempenhou alguns cargos públicos nos governos do PT, para além de ter sido vice-presidente do Vasco da Gama. Membro do Comité Central do PC do B, tido por ser alguém em quem Dilma deposita uma grande confiança técnica e pessoal, foi chamado a assumir o dossier durante a crise de Junho passado, quando milhares de brasileiros saíram às ruas antes e durante a Copa das Confederações. Mais do que um “bombeiro”, Fernandes foi um negociador na verdadeira acepção do termo e o seu perfil “discreto, metódico e articulado” transformaram-no rapidamente em alguém que conseguiu inverter desgastada relação entre o governo brasileiro e a exigente FIFA que, há um ano e já durante a Copa das Confederações, esteve a ponto de anunciar o seu cancelamento.
A ele, segundo a edição de hoje da revista “Época“, deve o Brasil a realização da Copa do Mundo. Sem ele, escreve a jornalista Flávia Tavares no artigo “O dia em que (quase) perdemos a Copa“, era mais que certo que “a vitória teria sido do #não vai ter copa“. Ou seja, para os brasileiros que (ainda) contestam a realização do torneio, “a culpa é do portuga“… Ainda bem!

2 ComentáriosDeixe um comentário

  • Caro Sr. José Paulo
    Mais uma prova evidente que os portugueses no mundo, são capazes de fazer maravilhas devido ao seu grande talento profissional.
    Já aqui em Portugal, não existe assim gente tão talentosa, principalmente na classe política.
    É a nossa sina.

  • O Luiz Fernandes é um excelente amigo, um homem de bem, a quem se fica a dever esta Copa (como ao seu Ministro, Aldo Rebelo, também meu amigo pessoal). E sabia que ele foi genro de Ruy Patrício, o último MNE da ditadura? De quem, devo confessar, também fiquei amigo, desde a minha passagem pelo Brasil.

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