José Paulo Fafe

A “conspiração” e os patetas…

EM JUNHO de 2005, dois patetas que dão pelo nome de Paulo Pena e Ricardo Fonseca assinaram uma “investigação” na sempre presurosa e diligente revista “Visão” e em que revelavam, com honras de capa e tudo, a “história de uma conspiração” que teria visado, segundo os patetas em questão, atingir o então já primeiro-ministro em vésperas das eleições desse ano e que deram a vitória aos socialistas. Segundo ainda os mesmos patetas, tudo teria sido inventado, orquestrado e “posto a correr” por um grupo (só faltou mesmo apelidá-lo de “bando”…) de “santanistas” e que, com a prestimosa colaboração de perigosos elementos infiltrados na própria Polícia Judiciária, teria urdido uma conspiração que visava envolver José Sócrates numa alegada história de estranhos contornos e envolvendo importantes somas de dinheiro relacionadas com um célere licenciamento do empreendimento “Freeport” em Alcochete. Na altura, a “investigação” que ocupou uma boa-meia dúzia de páginas da revista já então dirigida por Pedro Camacho (e a esse só não o apelido de pateta, por respeito aos anos em que fomos colegas de liceu…) , os patetas apontavam um-a-um os “conspiradores” – do hoje deputado Miguel Almeida ao empresário Armando Jorge Carneiro, passando por um tal inspector Torrão e por mim próprio – aliás a quem, os tais patetas, vaticinavam mesmo a próxima constituição em “arguido”.
Três anos e meio após a publicação dessa peça que exemplifica bem o tipo de jornalismo que faz, desde há anos, “escola” na “Visão”, os factos ocorridos na semana que agora terminou, mostram bem o papel que os patetas Pena e Fonseca se prestaram a fazer a propósito da tal “conspiração” inventada, urdida e orquestrada pelos perigosos “santanistas” e que só pretendia pôr em causa o presumível bom-nome de José Sócrates.
Permitam-me apenas, a finalizar, uma breve nota pessoal e que revelam bem a leviandade com que hoje qualquer idiota escreve nos jornais portugueses: nunca fui constituído arguido (nem sequer fui ouvido a propósito desse caso…) e as abusivas, infames e acanalhadas referências que esses patetas me fizeram, levaram a que tivesse sido seriamente prejudicado no desempenho das minhas funções de consultor. A tal ponto que apenas por falta de condições para liquidar umas custas judiciais elevadas não tive oportunidade de intentar a acção cível que era meu propósito mover contra esses patetas e quem aparentemente é seu responsável editorial. Mas pelo menos, três anos e meio depois, posso rir-me à gargalhada e apelidá-los de “patetas”…

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